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Fizemos papel de bobo na comissão, diz relator da reforma política

Relator da comissão da reforma política, Marcelo Castro disse que trabalho foi "jogado no lixo" 

Brasil|Do R7

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Castro: O relatório era só 99% do que ele (Eduardo Cunha) queria. Mas ele queria 100%
Castro: O relatório era só 99% do que ele (Eduardo Cunha) queria. Mas ele queria 100%

Prevista inicialmente para a última terça-feira, 19, a votação do parecer foi adiada ao menos três vezes e aconteceria nesta segunda-feira, 25, às 18h. Após reunião entre alguns líderes partidários e o presidente da Câmara, no início da tarde, Maia anunciou o cancelamento da reunião, surpreendendo os membros do colegiado.

Castro só foi informado do cancelamento dez minutos antes do horário previsto para o início da sessão. "É um gesto autoritário e desrespeitoso ao trabalho que foi feito", afirmou Castro no plenário em que aconteceria a votação. "Este não é o relatório do Marcelo Castro. É o relatório da maioria da comissão", disse ele. "O relatório não é para ele (Cunha) gostar. O relatório é para atender o sentimento da Casa", afirmou o relator. "Fizemos papel de bobo. Três meses trabalhando arduamente e não vamos votar o relatório, que já está pronto há 20 dias. O relatório era só 99% do que ele (Eduardo Cunha) queria. Mas ele queria 100%", desabafou o relator. O peemedebista considera que o esforço de toda a comissão foi "jogado no lixo".


O peemedebista sequer foi convidado para o almoço na residência oficial do presidente da Casa onde foi discutido a votação da matéria. "Ninguém me disse nada disso", respondeu.

Membro da comissão especial, o deputado Silvio Torres (PSDB-SP) disse que não haveria tempo hábil para votar no colegiado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já que diz respeito a vários itens polêmicos a serem discutidos. A luta dos partidos, na avaliação do tucano, será garantir que o texto a ser aprovado no plenário não piore o sistema em vigor. "Estamos correndo o risco de piorar o sistema", alertou.


Prefeitos indignados 

Deputados e prefeitos que foram a Brasília para a Marcha dos Prefeitos, na próxima quarta-feira, 27, também se indignaram com a suspensão da votação. "Antecipei minha vinda para acompanhar esta votação e acontece isso. É um desrespeito com todos nós", afirmou Ranulfo Gomes (PMDB), prefeito de Cansanção (BA). "É uma covardia, um desrespeito ao relator, à comissão e ao povo. A covardia prevaleceu. O medo de sair daqui derrotado o levou a fazer isso", disse a deputada Moema Gramacho (PT-BA). Líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), disse que não foi convocado para o encontro de lideranças na residência oficial da presidência da Câmara e classificou a manobra como "ditatorial e agressiva" e criticou também Rodrigo Maia. "O presidente da comissão é o principal agente do assassinato da comissão", afirmou o deputado com um cartaz em que se lia: "Aqui jaz a comissão da reforma política". "É golpe isso que aconteceu".

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