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Gilmar Mendes deseja "boa viagem" a Janot

Ministro diz que fim de mandato do procurador vai restabelecer normalidade

Brasil|Do R7

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Gilmar Mendes acompanhou de Manaus (AM) a eleição suplementar para o governo do Amazonas no domingo (6)
Gilmar Mendes acompanhou de Manaus (AM) a eleição suplementar para o governo do Amazonas no domingo (6)

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse neste domingo (6) que o fim do mandato de Rodrigo Janot vai restabelecer a "normalidade na relação" do STF com a Procuradoria-Geral da República. Gilmar reafirmou que o Supremo ficou "a reboque" de impulsos do procurador-geral. Ele ainda desejou "boa viagem" a Janot na saída do comando do Ministério Público Federal.

"Certamente o tribunal (STF) vai acertar o passo (quando acabar mandato de Janot). Acho que haverá o restabelecimento da normalidade na relação do tribunal com a PGR", disse Gilmar ao Estado.

O presidente do TSE esteve neste domingo em Manaus para supervisionar as eleições suplementares para governador.

A declaração de Gilmar vai na mesma linha da do presidente Michel Temer, que em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na sexta-feira (4) afirmou que a mudança na chefia da Procuradoria-Geral da República vai dar "rumo correto" à Operação Lava Jato.

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Ontem, em mais um ataque ao procurador-geral, o ministro do STF disse que Janot perdeu "todas as condições de equilíbrio para continuar exercendo o cargo". O mandato de Janot termina no dia 17 do próximo mês, quando ele será sucedido pela subprocuradora Raquel Dodge.

Gilmar criticou novamente a atuação do STF, que, segundo disse, "ficou a reboque de impulsos do procurador-geral, permitindo a violação da lei de delação e uma série de abusos nessa área". De acordo com o Gilmar, os ministros estão rediscutindo esses temas na Corte.

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Semipresidencialismo

Na capital do Amazonas, Gilmar informou que participaria de um jantar na noite de ontem com Temer. Segundo ele, a pauta seria a reforma política.

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"Temos feito sugestões às comissões do Congresso. Tenho batido muito na necessidade de pensar um semipresidencialismo. Alguma coisa que mesclasse uma presidência com algum significado forte, mas que também valorizasse a governabilidade com um primeiro ministro", afirmou.

Para o presidente do TSE, o ideal para o País seria uma mistura dos modelos francês e português. Na sua avaliação, o modelo brasileiro gera "crises continuadas". "Dos quatro presidentes da nova República, só dois terminaram o mandato integralmente. Toda vez que temos crises mais profundas vem a discussão sobre impeachment ou fórmulas desse tipo", afirmou.

Um dos pontos que parece ter unanimidade na reforma política que tramita no Congresso é o financiamento público de campanhas. Caso seja aprovado, caberia ao TSE administrar os recursos. Gilmar avalia que isso gera questionamentos.

— A dificuldade agora é usar dinheiro público em um sistema aberto. Como vai distribuir? Qual é o critério?

"Nós temos defendido um modelo de lista pré-ordenada, porque a campanha seria feita em nome do partido. Mas disseram que isso iria gerar manipulação", destacou o ministro.

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