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Gilmar Mendes questiona criação de TRFs e critica projeto que torna corrupção crime hediondo

Ministro defende mais juizados especiais para atender cidadão e quer debate no plenário do STF

Brasil|Da Agência Brasil

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Temos que fazer a investigação da corrupção andar e não apenas chamar este ou outro crime de hediondo, afirmou Gilmar Mendes
Temos que fazer a investigação da corrupção andar e não apenas chamar este ou outro crime de hediondo, afirmou Gilmar Mendes

A criação de mais TRFs (Tribunais Regionais Federais) foi questionada nesta terça-feira (6) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.

Segundo o ministro, de acordo com dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a maioria dos processos hoje não está nos tribunais regionais federais, mas sim nos juizados especiais e nas turmas recursais.


— É verdade que é preciso sim atender às demandas do cidadão, mas não sei se a resposta deve vir com a criação de mais tribunais ou se nós precisamos de mais juizados especiais, mais turmas recursais.

O ministro também lembrou que esse debate jurídico precisa agora ser travado no plenário do Supremo.


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No último dia 17 de julho, o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, suspendeu a emenda à Constituição aprovada pelo Congresso Nacional que criou quatro TRFs (6ª, 7ª, 8ª e 9ª regiões), com sedes em Curitiba, Salvador, Belo Horizonte e Manaus. A decisão precisa agora ser referendada pelo plenário do STF.


A ação de inconstitucionalidade foi impetrada pela Associação Nacional dos Procuradores Federais. Além de apontar o erro na origem da proposição, a entidade destacou que a medida resultaria em gastos não previstos no orçamento federal e em sobrecarga de trabalho para os advogados públicos, pois a estrutura da Procuradoria Federal não foi alterada para atender à nova demanda da Justiça

O ministro Gilmar Mendes também comentou o projeto aprovado no Senado que trona corrupção um crime hediondo.


— O grande combate que a gente tem de fazer em relação à corrupção é fazer andar a investigação, fazer andar as denúncias e fazer os próprios julgamentos andarem. Chamar este crime ou aquele de crime hediondo não resulta em nada.

Ele avaliou que se a proposta também for aprovada na Câmara — onde tramita em regime de urgência —, na prática, o cidadão que for condenado por este tipo de crime, apenas cumprirá uma pena mais longa em regime fechado.

— Isso é apenas um apelo ao simbólico. Por isso é que eu tenho chamado atenção para a necessidade de uma reforma séria da justiça e, neste ponto, da justiça criminal.

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