Governo constrange governadores ao pedir aumento de impostos, diz Cunha
Para presidente da Câmara, mesmo com clima favorável, CPMF só seria aprovada ano que vem
Brasil|Do R7, em Brasília

Espremidos entre a queda da arrecadação e o aumento de despesas sem que tenham recursos para fazer frente a elas nos próximos meses, governadores estiveram reunidos nesta quarta-feira (16) com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a quem foram pedir apoio à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do governo que dispõe sobre a volta da cobrança da CPMF sobre as movimentações financeiras de todos os correntistas do País.
Segundo o porta-voz do grupo de sete chefes de governo que estavam na Câmara, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, a CPMF é necessária para garantir recursos aos estados que tomariam para si uma fração da alíquota de 0,38% proposta a fim de incluir os estados na partilha do resultado do novo imposto em benefício do governo.
Interlocutor dos governadores, o presidente da Câmara criticou o governo que, segundo ele, pede para os governadores fazerem o que ele não conseguiu fazer, ou seja convencer o Parlamento da necessidade da volta da CPMF.
— O governo está constrangendo os governadores a pedir a volta do imposto e continua tentando dividir o ônus de seus erros com o Congresso Nacional.
Governo pretende arrecadar R$ 32 bilhões com volta de CPMF
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Deputados da própria base do governo disseram que os governadores não terão força para fazer com que suas bancadas na Câmara votem em favor da CPMF quando ela chegar ao Plenário, o que nas previsões de Cunha, pode acontecer somente no meio do ano que vem.
Segundo Lincoln Portela (PR-MG), não há clima entre os congressistas para aprovar um novo imposto e os governadores estão enfraquecidos politicamente. Para Osmar Serraglio (PMDB-PR), os deputados não estão dispostos a ouvir nem a atender os pedidos, caso eles partam mesmo dos governadores.
Deputados de partidos da oposição como o PPS, PSDB, PSC e DEM lançaram um movimento contrário ao retorno da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Um manifesto, intitulado "Basta de Imposto, Não à CPMF" foi distribuído pela Câmara. Nele os deputados explicam que os brasileiros não suportam ser onerados com mais tributos, que já representam 36% do PIB.
O esforço do governo de convencer o Legislativo a apoiar o pacote de ajustes lançado na segunda-feira (14) continua nesta quinta-feira (18). Os ministros da área econômica, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) participam de audiência na comissão de Orçamento às 9h. Eles vão detalhar os cortes nas despesas do governo e o aumento de tributos com a recriação da CPMF.















