Governo de Temer tem como grande desafio vencer crise econômica e tirar País de recessão histórica
Novo presidente precisa trazer de volta a confiança da população, segundo economista
Brasil|Eugenio Goussinsky, do R7

A substituição de Dilma Rousseff por Michel Temer na presidência, caso o Senado aprove a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff nesta quarta-feira (11), deixará ao sucessor momentâneo os desafios econômicos a serem enfrentados pelo Brasil em meio à crise.
Com uma taxa de desemprego de 10,2%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e um PIB (Produto Interno Bruto) em queda de 3,8% em 2016, segundo projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional), o País vive uma recessão histórica. Temer assumirá uma nação assolada pela fragilidade da economia e distante de atrair investidores.
Para o economista Francisco Pessoa Faria Júnior, da consultoria LCA, o novo presidente vai enfrentar as mesmas dificuldades de Dilma, herdando situações como o nível baixo de confiança da população em investir e consumir e as altas taxas de juros no mercado nacional.
— A atividade econômica está sofrendo para crescer, a confiança está baixa, as famílias e empresas estão muito endividadas. São as mesmas dificuldades que a Dilma tem enfrentado até agora. As vantagens do Temer é que neste momento o mercado lhe vai dar o benefício da dúvida. Se a Dilma baixasse juros, por exemplo, iriam dizer que ela está se descuidando da inflação. Com o Temer neste momento isso tende a não acontecer.
Base estrutural
Faria Júnior destaca que, diante de um período recessivo tão grande, um fator favorável é que, pelo próprio comportamento cícilco das economias na história, a projeção é de que a atividade tenha uma recuperação nos próximos anos.
— Não vai ser fácil, mas se ficasse a Dilma ou com o Temer a economia, a partir do início de 2017 e já por 2018, deve passar por uma melhora. Experiências históricas no Brasil e no resto do mundo mostram que quando a economia sofre muito como agora, nos anos seguinte costuma se recuperar ciclicamente. Qualquer um deles pegaria essa melhora. A questão é saber se o Temer irá conseguir aproveitar essa melhora para fazer alguma coisa a mais.
Com processo no TSE e pedido de impeachment, Temer terá dificuldades para estabilizar economia
O economista ressaltou, no entanto, que o maior desafio para a nova administração é criar uma nova base estrutural para a economia.
— Fala-se muito em ajuste da questão fiscal. Mas isso significa aumentar mais impostos, mudar direitos, privilégios e sacrifício da população, que não está mais disposta a fazer sacrifícios, vendo tantos casos de desvio de verbas e mau uso do dinheiro público. Seja qual for o governante, é preciso reconquistar a confiança da população, que está sem paciência, para este tipo de sacrifício, como um aumento da CPMF. Como as pessoas estão cansadas, Temer terá mais apoio e chance de fazer algo melhor. Mas não é garantido.
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