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Governo e oposição pressionam 'indecisos' sobre impeachment

O alvo principal são 55 deputados que se disseram indecisos, 9 que não quiseram declarar o voto

Brasil|Do R7

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Por ora, 261 deputados votariam a favor da abertura do procedimento e 117 se posicionaram contra o impeachment
Por ora, 261 deputados votariam a favor da abertura do procedimento e 117 se posicionaram contra o impeachment

A previsão de que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff seja votado em plenário daqui a duas semanas faz com que governo e oposição intensifiquem a busca por deputados "indecisos" ou "indefinidos". Em comum, ambos os lados recorrem à "pressão das ruas" e ao "sentimento de culpa" para atrair parlamentares aos grupos favorável ou contrário ao afastamento da petista.

Segundo levantamento publicado ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo, o alvo prioritário são 55 deputados que se disseram indecisos, 9 que não quiseram declarar seu voto — mesmo com a opção de permanecerem sob anonimato — e 71 integrantes de 15 partidos diferentes que não foram localizados pela reportagem.

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A reportagem mostrou que, por ora, 261 deputados votariam a favor da abertura do procedimento e 117 se posicionaram contra o impeachment. Para o processo seguir para o Senado, são necessários 342 votos, o equivalente a dois terços dos 513 deputados da Câmara.

Tanto governistas quanto oposicionistas procuraram ver os números do levantamento do jornal com otimismo. No Planalto, a avaliação é de que a reforma ministerial a ser promovida nesta semana — pela qual Dilma trocará cargos e pastas pelo voto de deputados de partidos do chamado centrão, como PP, PR e PSD, contra o impeachment — será suficiente para conter o avanço da onda pelo afastamento da petista. Fora isso, o governo insistirá na tese de tachar o processo como "golpe".

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Para o deputado Bohn Gass (PT-RS), os números mostram que o governo tem capacidade de barrar o impeachment. O parlamentar aposta na presença — mesmo que informal — do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na articulação do governo e na pressão dos movimento sociais de esquerda.

"Os deputados que votarem a favor do impeachment vão levar para a vida deles o legado de serem golpistas", acusou Gass, que vê como fator positivo ao Planalto a decisão do PMDB de romper com Dilma. "O setor do PMDB que saiu fez um bem para o País. Eles estavam dentro do governo, mas operando contra o governo."

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Pressão das ruas

A oposição, por sua vez, conta com a pressão das ruas e dos movimentos organizados contra o PT para atingir o mínimo de 342 votos - pelo levantamento do Estado, faltariam 81 votos para tanto. O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), lembra que parlamentares que foram contra o impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992 "passaram maus bocados nos anos seguintes".

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Segundo ele, políticos contrários ao governo Dilma são aplaudidos nas ruas, enquanto os favoráveis são hostilizados. "O cara tem que ter muita coragem para votar contra o impeachment, a pressão é muito grande", disse o deputado.

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), acredita que os números a favor do impeachment revelados pelo jornal são elevados e a tendência é de ampliação. "O governo está tão fraco, sem perspectiva, que é muito difícil conseguir reverter isso", disse, ressaltando que novos fatos da Operação Lava Jato também geram um ambiente favorável ao impeachment.

'Nazismo'

O deputado federal Sibá Machado (AC), ex-líder do PT na Câmara, publicou nas redes sociais imagens de campos de concentração nazistas e uma foto de Adolf Hitler seguida de um comentário relacionando o período ao movimento que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Holocausto! Imagens do Horror! Não Permita que o FASCISMO tome o Brasil!". A iniciativa causou reação imediata da oposição.

"Esse é um sinal claro que eles, petistas, estão na fase do delírio e da irresponsabilidade. Bateu o desespero total. O gesto foi apelativo e arrogante", afirmou o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), líder da oposição no Congresso. Sibá Machado, que não foi localizado para comentar o post, foi substituído na liderança petista no começo do ano pelo deputado Afonso Florence (PT-BA), que é considerado pelos governistas um político mais habilidoso.

Em sua passagem pela liderança do PT, Sibá foi criticado pelos colegas por ter um estilo errático e explosivo ao lidar com o pedido de impeachment na Câmara. Entre outras declarações polêmicas, ele acusou a CIA, a agência de inteligência norte-americana, de estar por trás dos protestos contra o governo em março de 2015. Em outro momento, chamou de "bando de vagabundos" um grupo de militantes pró-impeachment que exibiam uma faixa contra Dilma nas galerias do plenário da Câmara. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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