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Governo estuda cobrança de impostos sobre herança, diz Barbosa

Brasil|Do R7

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Por Luciana Otoni e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo analisa a cobrança de impostos sobre herança, afirmou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, nesta terça-feira, em referência a uma das medidas de ajuste fiscal que está sendo demandada pelos parlamentares do PT para apoiar as medidas de aperto nas contas públicas.

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Falando em uma audiência tensa na Comissão de Assuntos Econômicas (CAE) do Senado que durou mais de cinco horas, Barbosa admitiu que o Ministério da Fazenda está analisando a tributação sobre heranças, explicando que esse tipo de cobrança é adotada por vários países e que é menos complicada que a taxação sobre grandes fortunas.

"Tributos sobre grandes fortunas poderiam gerar movimentos especulativos", disse.

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A respeito da recente escalada do dólar, o ministro do Planejamento afirmou que a situação do câmbio no Brasil não é de descontrole. Segundo Barbosa, a moeda norte-americana se estabilizará em patamar mais elevado.

"Não é uma situação de câmbio fora de controle. É realinhamento da taxa de câmbio a novas condições internas e externas", disse ele, acrescentando que a alta da divisa norte-americana é mundial e também advém da desvalorização das commodities.

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Sobre o futuro do programa de swaps cambiais, Barbosa disse que a decisão sobre os leilões cabe ao Banco Central "até para não gerar ruído".

Ele disse que o programa tem custo e que essa despesa é transparente, mas só conhecida após a flutuação cambial. "Não há como prever antecipadamente o custo do swap."

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O ministro afirmou que as variações cambiais têm efeito na inflação, mas reforçou que a tendência é de desaceleração na alta dos preços em 2016.

"O câmbio é flutuante e muda de patamar e nessa mudança cria efeitos temporários sobre a inflação".

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AJUSTE FISCAL

Expondo mais uma vez o plano do governo de reequilíbrio das contas públicas, o ministro procurou transmitir mensagem de otimismo em meio a uma série de indicadores desfavoráveis e fatos políticos negativos, enfatizando que o ajuste fiscal é necessário para a recuperação da economia.

"Nesse momento temos adotado medidas que podem ter impacto restritivo na economia, mas são necessárias para o crescimento", disse Barbosa, acrescentando que o governo trabalha para antecipar a recuperação para o terceiro trimestre do ano.

Durante a audiência, vários senadores da oposição cobraram explicações do governo sobre o ajuste fiscal citando, como fez o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), usando a expressão de estelionato eleitoral.

"Não considero que há negação de promessas. Há a coragem de ajustar a política econômica a novas condições", disse o ministro.

O embate entre o ministro do Planejamento e senadores da oposição ocorre dois dias depois de protestos gigantescos tomarem as ruas do país em crítica ao governo da presidente Dilma Rousseff, marcado por baixo crescimento, inflação alta e aperto nas contas públicas.

Na audiência, o ministro do Planejamento também foi cobrado a reduzir o número de ministérios como forma de dar exemplo de corte de gasto, mas respondeu que o atual número de pasta não chega a ser um peso orçamentário.

Barbosa também foi questionado sobre a desoneração da folha de pagamentos, respondendo que sente-se confortável em falar sobre o assunto e que o governo tem que ter coragem em mudar "quando as condições mudam".

Barbosa disse ainda que o cumprimento da meta de superávit primário equivalente a 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) depende da aprovação pelo Congresso de medidas fiscais e que o governo estuda alternativas a serem adotadas caso haja imprevistos na programação traçada.

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CONCESSÕES

A respeito do programa de concessões nas áreas de infraestrutura e logística, o ministro disse que há a possibilidade de realização de leilões no segundo semestre deste ano, citando estudos em andamento em áreas como ferrovias, hidrovias e aeroportos.

Mas ao apontar as concessões como um dos propulsores da recuperação da economia, ele foi cobrado pela oposição a detalhar o financiamento desses projetos.

"Vejo com dúvida a decolagem das concessões, está tudo atrasado e demora", disse o senador José Serra (PSDB-SP).

O ministro reconheceu que o BNDES continuará sendo o maior financiador dos projetos e que espera financiamento por parte do setor privado, "mas mais à frente".

Sobre as mudanças que estão sendo estudadas no programa de financiamento estudantil Fies, Barbosa afirmou que elas buscam aperfeiçoar o concessão de empréstimos com a adoção de critérios de qualidade.

"Nas regras como estavam, o Fies acabava sancionando todo e qualquer aumento de mensalidade. Isso estava provocando até alguma inflação nas mensalidades", afirmou.

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