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Governo muda regra de aposentadoria, mas ainda busca solução definitiva para Previdência

Brasil|Do R7

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Por Marcela Ayres e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal alterou nesta quinta-feira as regras para a aposentadoria, mantendo na essência a mudança aprovada pelo Congresso Nacional e vetada pela presidente da República, para evitar um maior desgaste com o parlamento, mas ainda busca uma solução definitiva para as contas da Previdência Social.

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A nova regra, introduzida por medida provisória, mantém a fórmula 85/95 aprovada pelo Congresso, mas incluiu uma progressividade que reduzirá em 50 bilhões de reais até 2026 o aumento dos gastos previsto caso fosse mantida a regra aprovada pelo Congresso Nacional, segundo cálculos do governo.

"Procuramos encontrar uma equação que conseguisse contemplar este valor que foi aprovado pelo Congresso Nacional com um critério de sustentabilidade", disse o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, acrescentando que acredita na acolhida da medida pelo Congresso.

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Pela regra aprovado no Congresso, quem quisesse se aposentar sem sofrer incidência do fator previdenciário, ou seja, com o benefício integral, deveria somar um mínimo de idade/tempo de contribuição de 85 anos, se mulher, e 95 anos, se homem, sendo a contribuição mínima de 30 anos e 35 anos, respectivamente.

Com a MP 676 publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial, essa soma 85/95 será acrescida de 1 ponto em 1º de janeiro de 2017 e em 2019, 2020, 2021 e 2022. Ou seja, no final, a soma entre idade e tempo de contribuição subirá a 90 anos para mulheres e 100 para homens.

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Ecoando um clima mais positivo para a MP receber o aval do Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), avaliou que a medida pode ser uma esperança para a resolução do problema em vista da preservação da fórmula 85/95 até o fim de 2016.

"Aquele que quer se aposentar já ganhou porque a regra do fator previdenciário, de uma certa forma, já foi mudada", disse. "Vamos dar um crédito de confiança para verificar e debater essa solução", completou Cunha em conversa com jornalistas.

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Autor da emenda aprovada na Câmara, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que também preside a subcomissão de Previdência Social na Casa, disse por outro lado que a MP do governo deverá sofrer emendas e que acredita que o tempo de espaçamento na progressividade será "certamente" colocado em pauta.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também defendeu a mudança na regra de progressividade. "O que nós precisamos é mudar a regra de progressividade para que ela não acabe comendo o 85/95. Esse é o papel do Congresso”, disse Renan.

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ECONOMIA

O ministro Gabas disse no início da semana que a regra 85/95, tal qual aprovada pelo Congresso, geraria um gasto extra da Previdência de 135 bilhões de reais até 2030 e de 3,2 trilhões de reais até 2060.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que a progressividade incluída na MP representa cerca de 50 bilhões de reais de gastos a menos até 2026 em relação ao que aconteceria com a manutenção da regra aprovada no Congresso.

Essa economia representa menos de 1 por cento dos gastos previdenciários estimados por Barbosa para o período de 2015 a 2026, de 6,8 trilhões de reais.

Gabas reconheceu que a MP não resolve o problema e os desafios da Previdência, cujas contas são pressionadas pelo aumento da expectativa de vida dos brasileiros e pela diminuição da população em idade ativa em relação aos aposentados.

"Esta é uma solução momentânea. A solução definitiva deve ser debatida no Fórum Nacional de Previdência Social", disse Gabas.

"Por que remetemos a discussão ao fórum de Previdência?

Porque a sociedade não vai parar de evoluir, a expectativa de sobrevida não vai parar de evoluir", completou.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o impacto no resultado primário deste ano governo deve ser neutro com a MP da Previdência.

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BATALHA

Questionado sobre eventuais estudos para redução da meta de superávit primário de 66,3 bilhões de reais este ano, equivalente a 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), Levy se esquivou do tema.

"Por enquanto, minha meta é conseguir passar a desoneração (da folha de pagamento) no Congresso", afirmou.

Na véspera o relator do projeto de lei que reduz a política de desoneração da folha de pagamento na Câmara, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), afirmou que a proposta "dificilmente" será votada nesta semana.

A iniciativa integra o pacote estruturado pelo governo para reequilibrar as contas públicas. Sua implementação tem ganhado cada vez mais importância diante da fraqueza da economia e consequente impacto sobre a arrecadação, o que torna mais difícil o cumprimento da meta de superávit.

Nesta quinta, o ministro do Planejamento afirmou que as MPs 664 e 665 - que endurecem o acesso a benefícios previdenciários e trabalhistas - devem gerar uma economia anual de cerca de 15 bilhões de reais após serem modificadas pelo Congresso, ante projeção anterior de 18 bilhões de reais com o texto original.

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(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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