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Governo vai mudar meta de primário e reconhecer déficit que pode chegar a R$50 bi em 2015

Brasil|Do R7

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Por Lisandra Paraguassu e Patrícia Duarte

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Diante do quadro de recessão e baixa confiança dos agentes econômicos, o governo vai mudar a meta de superávit primário deste ano para reconhecer um déficit, que pode chegar a 50 bilhões de reais, e avalia incluir ainda a possibilidade de elevar esse número caso haja novas frustrações de receitas, afirmaram à Reuters três fontes com conhecimento sobre o assunto.

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Segundo uma das fontes, que integra o governo, a equipe econômica está fazendo diversos cálculos sobre o resultado primário --economia feita para pagamento de juros da dívida pública-- deste ano, que já variaram de um rombo de 20 bilhões a 50 bilhões de reais, mas que no final deve prevalecer a cifra maior.

Além de reconhecer novo déficit primário neste ano, o governo também deve colocar mais um mecanismo que permitiria elevar esse teto, já que novas frustrações de receitas podem ocorrer.

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"O número (do déficit primário deste ano) tem mudado muito por isso", explicou outra fonte, que também faz parte do governo.

Em julho, o Executivo reduziu a meta de superávit primário do setor público consolidado para este ano a 8,7 bilhões de reais, ou o equivalente a 0,15 por cento do PIB, mas incluiu a possibilidade de abatimento de até 26,4 bilhões de reais no caso de frustrações de receitas. Isto, na prática, já abria o caminho para déficit de até 17,7 bilhões de reais, mas ainda não recebeu o aval do Congresso Nacional. [nL1N102368]

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O governo ainda conta com algumas receitas extraordinárias neste ano, segundo a primeira fonte citada, como as concessões de hidrelétricas marcadas para o próximo dia 6, que poderiam gerar receitas de 11 bilhões de reais neste ano. E não quer mais anunciar cortes no Orçamento, acrescentou a fonte, que pediu anonimato.

No início deste mês, por exemplo, o governo viu frustradas suas expectativas de arrecadar até 1 bilhão de reais com a venda de blocos exploratórios de petróleo, diante do momento de crise na Petrobras e de queda nos preços globais do petróleo. [nL1N128015]

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A equipe econômica está esperando a presidente Dilma Rousseff voltar de sua viagem ao exterior, nesta madrugada, para bater o martelo. O número final precisa ser enviado à Comissão Mista do Orçamento ainda esta semana.

Uma das fontes informou ainda que o governo também pretende pagar as chamadas "pedaladas fiscais" detectadas neste ano pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas negociando uma forma para isso, via parcelamentos.

O relator do projeto de Lei que altera a meta fiscal deste ano, deputado Hugo Leal (PROS-RJ), confirmou que o governo reconhecerá déficit primário em 2015 superior a 17 bilhões de reais.

O número já incorpora a frustração de 26 bilhões de reais em receitas extraordinárias. Falta estimar, segundo ele, a queda na arrecadação causada pela fraqueza na economia. O número final será definido pelo governo até quinta-feira.

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(Com reportagem adicional de Alonso Soto e Silvio Cascione, em Brasília)

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