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Há uma crise de desconfiança na PF, diz delegado sobre Segovia

Diretor da corporação criou polêmica ao afirmar que inquérito contra o presidente Michel Temer seria arquivado

Brasil|Do R7

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Segovia assumiu chefia da PF em novembro
Segovia assumiu chefia da PF em novembro

O presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Edvandir Paiva, afirmou que há uma crise de desconfiança dentro da Polícia Federal e que isso não se resolve apenas com palavras. A afirmação ao se refere à reunião ocorrida nesta quarta-feira (14), entre o diretor da PF Fernando Segovia e representantes dos delegados, entre eles Paiva.

No encontro, Segovia disse estar arrependido sobre sua fala a respeito do inquérito dos Portos e prometeu que não há nem nunca haverá interferência sobre o trabalho de delegados da corporação. O diretor da PF também afirmou que irá evitar conceder novas entrevistas e abordar temas relacionados a investigações em andamento.

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A fala de Segovia foi interpretada como uma mea-culpa, mas ainda não serviu para acabar com a crise iniciada com a entrevista divulgada na última sexta-feira (9). Em entrevista à agência Reuters, Segovia afirmou que provas contra o presidente Michel Temer na investigação sobre o decreto dos Portos são frágeis e indicou que o inquérito deveria ser arquivado.

Para Paiva, o estrago pelas afirmação já foi feito, o desgaste continua e que apenas palavras como as ditas na reunião não resolvem a crise de desconfiança instalada dentro da corporação.

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Na quarta-feira, os delegados do Grupo de Inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal, o GINQ, enviaram um memorando ao diretor de Combate ao Crime Organizado, Eugênio Ricas, no qual afirmam que não aceitarão qualquer tipo de interferência nas investigações e prometem tomar as "medidas cabíveis" caso haja alguma intromissão.

O delegado Cleyber Malta, responsável pelo inquérito dos Portos, faz parte desse grupo. Para o presidente da ADPF, o memorando é um recado claro da crise de desconfiança que existe na PF e demonstra que se houver algum tipo de interferência os delegados vão agir.

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"Essas coisas não se resolvem com uma palavra. Estamos acompanhando os desdobramentos no Judiciário e, principalmente, vendo se algum colega reclama de algo concreto", afirmou o presidente da ADPF.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que as associações de classe da PF, entre elas a dos delegados, aguardam o desenrolar da situação de Segovia no STF e da Procuradoria-geral da República.

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O diretor-geral se encontra na segunda-feira (19), com o ministro Luis Roberto Barroso para dar explicações sobre sua entrevista. A expectativa entre os delegados é de que se o ministro der por encerrado o assunto após o encontro, a crise irá arrefecer e aos poucos a instituição voltará a normalidade.

Por outro lado, a situação pode se agravar caso a PGR resolve abrir uma investigação. No despacho em que cobrou explicações de Segovia, Barroso também facultou à PGR a possibilidade de abrir um procedimento caso entendesse ser necessário.

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