Haddad culpa falha de comunicação com eleitor por baixa popularidade em São Paulo
Com 14% de aprovação, prefeito também descartou caixa dois em campanha eleitoral em 2012
Brasil|Do R7

O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição pelo PT, Fernando Haddad, apontou a falha de comunicação do seu governo com o eleitor como a principal razão para a baixa popularidade dele como gestor, indicada nas pesquisas eleitorais.
A última pesquisa do Datafolha mostra que 14% dos eleitores paulistanos aprovam a administração do petista. O prefeito paulistano foi sabatinado nesta terça-feira (26) por jornalistas da Folha de S.Paulo, UOL e SBT.
Haddad disse que gastou metade do dinheiro de publicidade do governo anterior, o que representou “R$ 400 milhões de economia”. Em seguida, isentou a população por não saber sobre seus feitos durante a gestão e admitiu uma falha própria de governo.
— Eu tenho déficit de comunicação. É uma falha do governo. Eu que tomei a decisão de economizar com publicidade.
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O petista acrescentou também que, “hoje, não é fácil se comunicar com o eleitor porque, nos últimos quatro anos, o País foi tomado pelo debate nacional”.
— Não tivemos a oportunidade de divulgar o nosso trabalho. [...]O noticiário por razões óbvias focou o que devia: estamos em crise desde 2013. É razoável que o foco da imprensa seja os temas nacionais, nós tivemos pouco espaço.
Caixa dois
Haddad comentou também a declaração do ex-marqueteiro do PT João Santana, que afirmou ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, a prática de caixa dois em campanhas eleitorais é comum e que ele não considera “essa forma 'dinheiro sujo', mas como dinheiro de negociação política”.
O petista descartou a possibilidade de ele ou seu tesoureiro da campanha eleitoral de 2012, quando venceu a corrida à Prefeitura de São Paulo, terem recebido qualquer dinheiro ilegal.
— Te asseguro que nem eu nem meu tesoureiro serão citados em nenhuma delação. Estou falando da minha campanha, por que respondemos eu e o meu tesoureiro. Conversas comigo e com meu tesoureiro, por elas eu respondo. Você não vai encontrar nenhum empresário que dirá que estamos fora da legislação.
Privatizações
Em relação às propostas, Haddad afastou a possibilidade de “vender o Anhembi”, maneira como classificou a proposta do candidato tucano à prefeitura paulistana, o empresário João Dória Jr.
— É importante manter um estoque de terras da cidade. Não vou vender o Anhembi, Interlagos e o Pacaembu. Ele [Doria] vê a cidade como se fosse uma empresa, não vê um local como um local de convivência com o Estado. [...] Não estamos endividados.
— A legislação nova veio para ficar e vai afetar todas as candidaturas. A campanha do Serra foi quase que equivalente à minha [...] são semelhantes, inclusive no contrato de publicidade e marketing. [...] Seguimos padrões de mercado. [...] Pensei: vamos fazer a coisa no padrão para que seja verossímil tanto para a Justiça como para o eleitor.
Política de Alianças
Haddad disse ainda que “o PT tinha que ter tido a coragem de fazer a reforma política com dois itens: o financiamento empresarial e as coligações proporcionais, que fragmentam o País”.
— Os partidos não têm bandeira, eles são corretores de tempo de TV. É troca de favor em troca de tempo de TV. [...] O mau original está no sistema, isso empurra as pessoas para a ilegalidade. Está errado isso.
Indústria da multa
Em relação à redução da velocidade das vias públicas em São Paulo, incluindo a aquisição e instalação de cerca de mil novos radares até março, Haddad negou existir uma “indústria da multa” na cidade e informou que os dados comprovam que a medida salvou vidas.
— Nós vamos aprofundar o programa de segurança no trânsito. No Brasil, morrem 24 pessoas por 100 mil habitantes, [...] e São Paulo está com 8 em cada 100 mil. No ano passado, são 9.000 feridos a menos no trânsito de São Paulo. Isso não aconteceu em nenhuma capital, então a crise não explica [a redução de mortos e feridos].














