Imediações do prédio da Justiça Federal tem bandeira do Brasil a R$ 40, cerca de 800 policiais e comércio fechado
Moradores tiveram que guardar carros na garagem e, se saírem, só podem voltar a noite
Brasil|Raphael Hakime, enviado especial do R7 a Curitiba

As redondezas da Justiça Federal em Curitiba (PR) têm clima tranquilo na manhã desta quarta-feira (10), quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depõe ao juiz federal Sérgio Moro no âmbito da Operação Lava Jato.
Seria quase um deserto, não fosse a chegada da Rocam (ronda ostensiva com apoio de motos), com cerca de 600 agentes, por volta das 10h. Mais cedo, por volta das 6h, cerca de 200 PMs faziam a segurança do local. Oficialmente, porém, a PM não confirma a informação por "questões estratégicas".

A Polícia Militar isolou a área num raio de 150 metros e moradores foram orientados a guardar carros na garagem a fim de não obstruir as ruas. Quem quer voltar para casa tem de ser escoltado por policiais, mas a PM diz ser exceção. A orientação é impedir a entrada inclusive de moradores. Só a imprensa está autorizada a circular — são 550 jornalistas credenciados. A PM, porém, está sendo maleável nessa recomendação.
A dona da banca de jornal que fica em frente à Justiça Federal, Elenice Accordi, está há 27 anos no local — nesse tempo, viu Moro só uma vez.
— Ele veio aqui uma vez e comprou um Trident. Mas foi quando ele não era tão famoso, quando ele vinha de bicicleta para o trabalho.
Hoje, a banca é o único comércio aberto nos arredores do local onde Lula vai depor.
— Nunca vi algo parecido nesse tempo, está tudo deserto, fechado. Já vi rebelião (havia um presídio exatamente ao lado da JF), protesto, mas nada parecido a essa vinda do Lula.

Dona Elenice diz que a ajudante se recusou a ir trabalhar hoje. Estava com medo de manifestações. Sobre as vendas, disse que esperava estar pior.
— Eu nem fui buscar os jornais hoje. Mas a imprensa e a polícia está comprando... balas, doces e bolachas.
Fora do cerco da PM, o ambulante João Batista tenta vender bandeiras, camisetas da seleção brasileira e capas de capô de carro até o limite em que os manifestantes podem chegar.
— Cheguei aqui 6h30 para garantir o ponto. Estou vendendo as bandeiras maiores a R$40. Na Copa, eu vendia a R$70. Mas tem as bandeirinhas pequenas por R$ 5 também.















