Incriminado na Lava Jato, Geddel corre risco de cair nas mãos de Moro

Ministro da Secretaria de Governo foi chamado de “boca de jacaré” por delator ligado a Cunha

Incriminado na Lava Jato, Geddel corre risco de cair nas mãos de Moro

Geddel pode cair nas mãos do juiz Sérgio Moro se for demitido

Geddel pode cair nas mãos do juiz Sérgio Moro se for demitido

Pedro Ladeira/05.10.2016/Folhapress

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Geddel Vieira Lima (PMDB), pode cair nas mãos do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), caso seja demitido pelo presidente Michel Temer. Geddel já foi citado pelo delator Lucio Funaro, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha e que chamou o atual ministro de “boca de jacaré”.

O peemedebista corre o risco porque, em caso de demissão, perderia o foro privilegiado — benefício concedido a autoridades do Executivo Federal e parlamentares da Câmara e do Senado que lhes confere o direito de serem julgados apenas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Geddel voltou ao noticiário policial na última sexta-feira, depois que o ex-ministro da Cultura relatou ter sido pressionado pelo peemedebista para atuar junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para liberar um empreendimento de luxo em Salvador, cujos imóveis estão avaliados em R$ 4,5 milhões cada.

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Em setembro, relatório da PF (Polícia Federal) revelou depoimento de Funaro em que dizia que Geddel era “boca de jacaré”, por causa da ganância em conseguir uma transação do FI-FGTS (fundo de investimento do FGTS) que totalizou RS$ 330 milhões que o favoreceria.

A suspeita contra Geddel foi descoberta após perícia feita pela PF no celular de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal e, atualmente, delator da Lava Jato. Em 2012, Cleto operou dentro do FI-FGTS em favor de Cunha e Funaro. Em troca, Cleto disse que recebia propina.

Nas mensagens a Cleto, Funaro escreveu que Geddel “é boca de jacaré para receber e carneirinho para trabalhar e ainda reclamão”. Funaro, conhecido pelo temperamento explosivo e verborrágico, disse que tinha “condição total se ele me encher o saco de ir para porrada com ele”.

A permanência de Geddel na Esplanada dos Ministérios será analisada nesta semana. Hoje, o Conselho de Ética da Presidência da República se reúne para analisar o caso — o grupo não tem o poder de demitir ministros, mas pode recomendar a saída ao presidente Michel Temer.