Brasil Instabilidade na Bolívia não deve pautar cúpula do Brics, diz Heleno

Instabilidade na Bolívia não deve pautar cúpula do Brics, diz Heleno

Para o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), no entanto, mesmo que isto aconteça, será de forma “discreta, sem cobranças”

Heleno diz que instabilidade na Bolívia não deve pautar cúpula do Brics

Heleno diz que instabilidade na Bolívia não deve pautar cúpula do Brics

Marcos Corrêa/PR

O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, disse que a conturbada situação política em parte dos países da América do Sul, como na Bolívia e na Venezuela, não deverá ter grande influência sobre as conversas entre os chefes de Estado que participarão da 11ª Cúpula do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

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“Óbvio que, para os chefes de Estado, isto é uma preocupação, mas não acredito que vá influir na pauta [do encontro], que é muito bem definida”, declarou o ministro.

Heleno não descartou a hipótese de algum chefe de Estado se manifestar ou mesmo abordar os últimos acontecimentos políticos durante a cúpula que ocorre  de quarta (13) a quinta-feira (14), em Brasília. Para ele, no entanto, mesmo que isto aconteça, será de forma “discreta, sem cobranças”.

“Não há possibilidade de haver qualquer tipo de discórdia durante o Brics porque o grupo não aborda estes temas políticos e não cobra de seus integrantes posições semelhantes [consensuais]. Cada um pode ter sua posição política que isto não influi no desenrolar das conversas do Brics”, acrescentou o ministro, citando o presidente russo, Vladimir Putin, que, ao contrário do governo brasileiro, manifestou apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundo a imprensa russa, Putin disse ontem que pretende tratar da situação boliviana durante um almoço com o presidente Jair Bolsonaro — fora, portanto, da reunião de líderes.

“Pode haver alguma manifestação particular em relação a Evo Morales, mas não acredito que isto vá ter influência na reunião dos líderes”, comentou Heleno, hoje.

Além de Putin, são esperados para a Cúpula do Brics os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Presidida pelo Brasil, a reunião tem como lema “Crescimento Econômico para um Futuro Inovador”. Segundo o Itamaraty, serão discutidos, prioritariamente, temas relacionados à ciência, tecnologia e inovação, economia digital, saúde e combate à corrupção e ao terrorismo.

Renúncia

No último domingo (10), Morales, seu vice, Alvaro García Linera, e parte do primeiro escalão do governo renunciaram a seus cargos. Morales vinha sendo pressionado por crescentes protestos convocados por críticos que acusam o governo de fraudar as últimas eleições, realizadas em 20 de outubro.

Morales obteve 47,07% dos votos, enquanto seu principal concorrente, Carlos Mesa, alcançou 36,51%. Pelas regras eleitorais bolivianas, Morales foi declarado eleito, por ter obtido 10% a mais de votos. Uma missão de observação da OEA (Organização dos Estados Americanos), no entanto, apontou problemas como a falta de segurança no armazenamento das urnas e recomendou que o pleito fosse anulado e novas eleições fossem realizadas.

Horas antes de renunciar, Morales anunciou que substituiria os atuais membros do Tribunal Superior Eleitoral e novas eleições seriam organizadas. A medida, no entanto, não foi suficiente para aplacar as manifestações. Desde então, com a situação política indefinida, os bolivianos viram a tensão aumentar.