Jornalista Audálio Dantas morre aos 88 anos
Audálio Dantas presidiu o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e denunciou as barbáries da ditadura e a morte do também jornalista Vladimir Herzog
Brasil|Alexandre Garcia, do R7

O jornalista Audálio Dantas morreu na tarde desta quarta-feira (30) aos 88 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
Nascido em 1929 na cidade de Tanque D’Arca (AL), Audálio começou a carreira de repórter em 1954, no jornal Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo).
Anos mais tarde, Audálio foi convidado para integrar a equipe da revista O Cruzeiro, onde foi redator e chefe de reportagem. Foi também redator-chefe da Quatro Rodas e editor da revista Realidade.
Em 1975, quando a ditadura militar vigorava no Brasil, Audálio assumiu a presidência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, onde denunciou as barbáries do regime e a morte do jornalista Vladimir Herzog.
Ao deixar o sindicato foi eleito deputado federal, em 1978, e também presidiu a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), em 1983, e foi vice-presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), em 2005.
Ao longo da carreira, Audálio recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em 2007, e o prêmio Jabuti, em 2013, pela publicação do livro reportagem As Duas Guerras de Vlado Herzog, que conta a história do também jornalista assassinado durante o regime militar. A publicação também rendeu a Audálio o título de "Intelectual do Ano" de 2012.
No mesmo ano, ele recebeu o título de “Jornalista do Ano”, entregue pela Anatec (Associação Nacional Editores Publicações Técnicas Dirigidas Especializadas).
Além de As Duas Guerras de Vlado Herzog (2012), Audálio é autor de inúmeros outros livros, como O Tempo de Reportagem (2012), A Infância de Ziraldo (2012), O Menino Lula (2005), Graciliano Ramos (2005) e Repórteres (1997).
Audálio também será lembrado pela descoberta da escritora Carolina Maria de Jesus, autora do livro Quarto de Despejo, de 1960. Os dois se conheceram quando o jornalista trabalhava na favela do Canindé, em São Paulo, e a ouviu fazer referência a respeito do litro que estava escrevendo.















