Jungmann afirma que não há chance de golpe militar no Brasil
Ministro da Segurança disse nesta quarta-feira que não há força política para propor o retorno ao passado e elogiou comportamento das Forças Armadas
Brasil|Agência Estado, com R7

Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, disse que, numa escala de zero a dez, a chance de haver um novo golpe militar no Brasil, como o de 1964, é de menos um. A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira (4) após jornalistas perguntarem ao ministro sobre a repercussão das declarações do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas.
Michel Temer deveria punir o comandante do Exército
O militar usou o Twitter na noite de terça-feira (3) para dizer que a instituição compartilha "o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia".
Lei proíbe militares de comentários como o do comandante do Exército
— Não vejo nenhuma força política, à exceção daquelas que são absolutamente minoritárias, propor um retorno ao passado. Ninguém quer isso e isso não tem o menor curso no Brasil, eu posso assegurar, disse, durante um evento nas proximidades da Rocinha para anunciar medidas socioeducativas para a região.
— O comandante tem efetivamente o respaldo para falar em termos da força. Se ele fala em nome da serenidade e do respeito às regras, eu acho que sim, é correto e bom falar, afirmou.
Jungmann também acrescentou que as Forças Armadas são "um ativo democrático" no Brasil hoje.
Não vai ter golpe, mas militares da reserva gostariam que tivesse
— O comportamento das Forças Armadas tem sido impecável em termos de institucionalidade e constitucionalização. Digo isso na qualidade de quem foi praticamente dois anos Ministro da Defesa e conviveu com todos os militares, garantiu.
Comandante da Aeronáutica
O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, divulgou nesta quarta-feira (4) boletim interno à Força Aérea Brasileira no qual afirma que o povo está "polarizado" e ordena seus subordinados a respeitar a Constituição e não se "empolgar a ponto de colocar convicções pessoais acima das instituições".
Exército fica entre os assuntos mais comentados do mundo no Twitter
—Tentar impor nossa vontade ou de outrem é o que menos precisamos neste momento. Seremos sempre um extremo recurso não apenas para a guarda da nossa soberania, como também para mantermos a paz entre irmãos que somos.
General fala em 'intervenção militar' caso Lula se eleja presidente
A publicação ocorreu um dia depois de o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, repudiar a impunidade em suas redes sociais, às vésperas do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) de um recurso contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?, questionou o general.
No comunicado, enviado a todos os militares da FAB, Rossato cobra que os poderes constituídos atuem com preceitos "éticos e morais" e prega confiança neles:
— Os poderes constituídos sabem de suas responsabilidades perante a nação e devemos acreditar neles.
Ele diz que "o Brasil amanhece hoje prestes a viver um dos momentos mais importantes da sua história", no qual "serão testados valores que nos são muito caros, como a democracia e a integridade de nossas instituições".
— Nestes dias críticos para o País, nosso povo está polarizado, influenciado por diversos fatores. Por isso é muito importante que todos nós, militares da ativa ou da reserva, integrantes das Forças Armadas, sigamos fielmente à Constituição, sem nos empolgarmos a ponto de colocar nossas convicções pessoais acima daquelas das instituições, escreveu o brigadeiro.
No texto, Rossato não faz menção direta às críticas do general Villas Bôas no Twitter, mas afirma que "os ânimos já acirrados intensificam-se ainda mais com a velocidade das mídias sociais, onde cada cidadão encontra espaço para repercutir a sua opinião, em prol do que julga ser o País merecedor".
O Brasil merece que seus cidadãos se respeitem e sejam respeitados, que os poderes constituídos atuem em consonância com preceitos éticos e morais dos quais possamos nos orgulhar, que os cidadãos possam ir e vir em segurança, além de tantos outros direitos básicos que hoje o Brasil ainda não oferece para uma boa parte de seu povo", escreveu o brigadeiro.















