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Londres rejeita apelação de empresas ligadas a Maluf e Prefeitura de SP deve recuperar R$ 80 milhões

Valores são de depósitos com ligação às obras realizadas pelo político quando era prefeito

Brasil|Do R7

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Paulo Maluf sempre negou envolvimento em desvios em sua gestão na Prefeitura de São Paulo que se direcionem às Ilhas Jersey
Paulo Maluf sempre negou envolvimento em desvios em sua gestão na Prefeitura de São Paulo que se direcionem às Ilhas Jersey

A Corte de Apelação do Reino Unido sepultou definitivamente as pretensões de empresas ligadas ao deputado Paulo Maluf (PP/SP) que pretendiam se livrar de condenação imposta pela Ilha de Jersey — paraíso fiscal onde o ex-prefeito (1992/1996) teria mantido valores supostamente desviados de obras emblemáticas de sua gestão, como o Túnel Ayrton Senna e a avenida Água Espraiada.

Os magistrados do Privy Council rejeitaram recurso da Durant e Kildare, pelas quais circularam dinheiro que o Ministério Público de São Paulo afirma ter tido origem em propinas na administração Maluf.


A Kildare e a Durant possuem ações da Eucatex, grupo que pertence à família Maluf. Por conta bancária dessas empresas, Kildare e Durant, segundo o Ministério Público de São Paulo, passaram dinheiro desviado do Tesouro paulistano.

Na apelação ao Privy Council, sediado em Londres, Kildare e Durant pretendiam rastreamento dos dados da conta Chanani, controlada por um doleiro de São Paulo acusado de ter enviado dinheiro dos Maluf para Nova York.


O argumento central das empresas é a suposta conexão entre os ativos delas confiscados e a conta Chanani, usada para a lavagem de dinheiro desviado das obras de Maluf.

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O rastreamento, segundo as empresas, provaria que a conta Chanani não pertencia a elas, mas ao doleiro. O Privy Council julga exclusivamente casos cercados de relevância, como no Brasil o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.


A decisão definitiva da Corte londrina representa uma vitória histórica da Procuradoria-Geral do Município e o Ministério Público do Estado de São Paulo.

O ponto central do recurso das empresas ligadas a Maluf é que entre os R$ 36,3 milhões (US$ 10,5 mi) que a Corte de Jersey reconheceu fraudatórios e mandou repatriar, apenas R$ 26,6 milhões (US$ 7,7 mi) tinham a origem comprovada.

Para a Kildare e a Durant os outros R$ 8 mi (US$ 2,3 milhões) não poderiam ser atribuídos ao esquema e deveriam ser liberados, porque o Município de São Paulo não teria conseguido realizar a prova do caminho do capital.

Na prática, as empresas sustentaram que a Chanani não era uma conta usada por elas, mas que abrigava ativos de outras fontes. A decisão do Privy Council foi recebida com empolgação pelos advogados que a Prefeitura de São Paulo contratou em Londres para acompanhar o caso. Os advogados estavam apreensivos.

Para a prefeitura, embora os valores envolvidos sejam bastante inferiores ao de atos de corrupção recentemente identificados, o resultado é juridicamente significante. O Privy Council se refere a vários precedentes negativos, que porém não aplicou a este caso, em que o 'desaparecimento' do capital e seu surgimento em contas estrangeiras é inerente aos métodos de lavagem internacionais.

No julgamento, os advogados da prefeitura e os das empresas ligadas a Maluf realizaram explanações orais de suas razões e o resultado era incerto. A condenação definitiva resulta no bloqueio de recursos da Kildare e da Durant. Se esses valores não forem suficientes para cobrir as consequências da sanção, ativos das empresas serão liquidados.

Paulo Maluf sempre negou, desde o início das investigações sobre valores a ele atribuídos na Ilha de Jersey, envolvimento em desvios em sua gestão na Prefeitura de São Paulo.

A assessoria do ex-prefeito afirma que Maluf não tem conta em Jersey.

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