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Luiz Estevão depositou R$ 2,2 milhões para Lalau

Procuradora alerta para o "risco de prescrição" de crimes atribuídos ao ex-senador

Brasil|Do R7

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Cerca de R$ 2,25 milhões (US$ 1 milhão) do valor global de R$ 10,8 milhões (US$ 4,8 milhões) que a Suíça confiscou do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto e repatriou nesta semana para o Brasil foi depositado na conta secreta do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho paulista em Genebra pelo ex-senador Luiz Estevão.

Três transferências, ao todo, foram realizadas em abril de 1994, segundo documentos que a Procuradoria da República juntou aos autos da ação penal que resultou na condenação de Nicolau e Estevão pelo desvio de recursos das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo.


O dinheiro migrou para a conta Nissan, que Nicolau mantinha na Suíça, dois anos depois da licitação que beneficiou uma empreiteira que teria Estevão como sócio oculto. Eleito pelo Distrito Federal em 1998, Estevão se tornou o primeiro senador cassado da história, em 2000, no âmbito da CPI do Judiciário, no Senado.

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De acordo com a procuradora regional da República em São Paulo Maria Luísa Carvalho, que investigou o caso, o envio foi comprovado.

— Comprovadamente R$ 2,25 milhões (US$ 1 milhão) foi enviado para a conta Nissan pelo ex-senador e isso precisa ser lembrado.


Quando a fraude foi descoberta, peritos do Ministério Público Federal calcularam em R$ 169 milhões o tamanho do rombo.

— Isso era em valores de 1999, estamos falando em um desvio atualizado de R$ 1,2 bilhão.


Nicolau e Estevão foram condenados, respectivamente, a 28 anos e 30 anos de prisão, por quadrilha, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e uso de documento falso. O ex-juiz cumpre pena na Penitenciária de Tremembé (SP). Estevão recorre em liberdade.

O ex-senador rechaça a acusação e diz que vai provar que é inocente. Em 2012, fechou acordo com a União para pagar R$ 468 milhões em parcelas mensais de R$ 4,3 milhões.

Nesta terça feira (9), o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União anunciaram a recuperação dos R$ 10,8 milhões (US$ 4,8 milhões) de Nicolau.

— O que precisa ser destacado é que R$ 2,25 milhões (US$ 1 milhão) foi enviado pelo ex-senador, mas ele continua em liberdade enquanto o ex-juiz está preso. Nicolau é bode expiatório do ex-senador.

A procuradora alerta para o "risco de prescrição" de crimes atribuídos ao ex-senador, parte deles em maio de 2014.

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