Lula afirma que ‘dormiu com a consciência tranquila’ na prisão

Ex-presidente discursa diante de militantes no Sindicato do Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), um dia depois de sair da prisão

Lula: "Durmo com a consciência tranquila dos justos"

Lula: "Durmo com a consciência tranquila dos justos"

Thiago Bernardes/Framephoto/Estadão Conteúdo - 9.11.2019

“Eu estou de volta”, afirmou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) na tarde deste sábado (9), em ato na sede do Sindicato dos Metalúrgico em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Em seu discurso, o petista declarou estar com a consciência tranquila, voltou a atacar os integrantes da Operação Lava Jato e disse que aceitou ser preso por "ter clara certeza de que seus algozes estão mentindo".

"Preciso provar que o juiz Moro não era um juiz. Era um canalha. Preciso provar que o Dallagnol não representa o MP que é uma instituição séria. Eu tinha certeza que os delegados que disseram o inquérito contra mim mentiram em cada palavra que inscreveram", afirmou o ex-presidente um dia depois de sair da prisão.

Lula garantiu também que dormiu “com a consciência muito tranquila” durante os 580 dias em que passou atrás das grades. “Durmo com a consciência tranquila dos homens justos e honestos. E duvido que o [Sérgio] Moro e o [Deltan] Dallagnol durmam com a consciência tranquila”, afirmou.

“Eu fiquei numa solitária durante 580 dias e me preparei espiritualmente para não ter sede de vingança, para não odiar, porque eu quero provar que mesmo preso eu dormia com a consciência tranquila”, disse.  

O petista ainda destacou que deixou a carceragem da Polícia Federal com mais vontade de lutar pelo orgulho de ser brasileiro. “Quero lutar para que as mulheres possam levar seus filhos ao supermercado e comprar comida para eles comerem“, destacou o ex-presidente.

"Eu disse para vocês que eles iam prender um homem, mas as ideias que nós construimos coletivamente não poderiam ser presas", completou Lula, que cumpriu pena por corrupção desde 7 de abril de 2018 na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

O petista foi solto após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que derrubou a prisão de réus antes de esgotados todos os recursos da defesa.

O petista, que chegou ao prédio do sindicato perto das 12h30, subiu ao carro de som às , mas centenas de pessoas já se reuniam dentro e fora da sede desde o início da manhã portando faixas e cartazes com dizeres da campanha "Lula Livre" e cantando palavras de ordem. 

Lula discursou no mesmo lugar de sua última fala em público antes de ser levado por agentes da Polícia Federal para Curitiba para cumprir pena. “Eu lembro que eu tive que persuadir vocês a entender qual era o meu papel. Eu poderia ter ido para uma embaixada ou para outro país, mas eu fui pra lá para provar que o juiz Moro  não era um juiz", disse.

Estiveram presentes no evento nomes como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o deputado federal pelo Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL) e a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). 

Na sexta-feira, após deixar a prisão em Curitiba, o petista já havia discursado por cerca de 15 minutos.