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Macri vence eleição na Argentina e põe fim a uma era do peronismo

Brasil|Do R7

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Por Nicolás Misculin e Jorge Otaola

BUENOS AIRES (Reuters) - O opositor de centro-direita Mauricio Macri venceu a eleição à Presidência da Argentina no domingo prometendo uma virada para recuperar a economia, uma manobra que vai requerer habilidade para manter as conquistas sociais da última década e evitar que o país caia outra vez em uma crise.

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Ao colocar fim a uma hegemonia de 12 anos de peronismo, Macri obteve 51,5 por cento de votos, ante 48,5 por cento do candidato do partido governista Daniel Scioli.

Com a vitória de Macri, a Argentina tomará o caminho da reconciliação com investidores, que vinham desaparecendo para fugir dos controles cambiais, das restrições às exportações e de outras políticas intervencionistas da presidente Cristina Kirchner, que não pode concorrer a outra reeleição.

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"Juntos podemos construir a Argentina que sonhamos", disse

Macri em seu comitê central de campanha. "É uma mudança de época que tem que nos levar ao futuro, às oportunidades que precisamos para crescer".

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Macri, de 56 anos, enfrenta uma série de desafios econômicos. O lento crescimento é resultante dos gastos insustentáveis, a inflação está bem acima de 20 por cento e os controles de capital não produziram o efeito esperado pelo governo, deixando as reservas internacionais em seu nível mais baixo em nove anos.

O país também está atolado em um confuso default da dívida que está bloqueando o acesso aos mercados de crédito globais.

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Macri, que cumpriu dois mandatos como prefeito de Buenos Aires, prometeu desmontar uma rede de controles cambiais e restrições comerciais que tem afastado os investidores e prejudicado o crescimento da Argentina.

Alterações na política econômica incluirão a eliminação de pesados impostos sobre a exportação de grãos e saneamento dos dados econômicos, que o governo de Cristina é acusado de manipular.

Mas em outros segmentos ele terá de agir com cuidado. Remover os controles de capital que refrearam o acesso a dólares e unificar uma taxa de câmbio multifacetada podem levar a uma forte desvalorização da moeda argentina, algo que, embora seja necessário para restaurar a competitividade dos produtos nacionais, provavelmente vai elevar os preços ao consumidor.

Nos estágios finais de campanha Macri indicou que favorecia um escalonamento na eliminação das restrições à moeda.

"Não podemos resolver no primeiro dia todos os problemas que este governo está deixando para trás", disse Macri antes da votação no domingo.

A expectativa é que ele retire subsídios para os setores de energia e transporte logo no primeiro ano de governo, a fim de reduzir o déficit fiscal.

Economistas estimam que cerca de 20 por cento dos gastos do governo vão para subsídios, mas a sua remoção deve se tornar uma medida impopular.

"A transição de país falido para uma força global provavelmente será irregular e lenta", disse Roberto Lampl, chefe de Investimentos Latino-Americanos da Alquity Investment Management. "Macri terá de desfazer 12 anos de danos, mas ele parece ter como meta dar prioridade à economia e ao crescimento."

"Hoje há um otimismo em Buenos Aires que eu não via há mais de uma década. A mudança finalmente chegou à Argentina."

Scioli, um peronista moderado, teve o apoio de aliados de Cristina, mas não conseguiu convencer a maior parte dos argentinos de que iria restaurar a confiança dos investidores, num momento em que a Argentina procura explorar reservas de petróleo e gás de xisto.

Mesmo assim, suas advertências de que as políticas pró-mercado de Macri vão colocar os objetivos do grande capital à frente dos interesses dos trabalhadores, corroer salários e destruir aposentadorias, serão previsivelmente as linhas de batalha entre Macri e os seus opositores ao longo dos próximos quatro anos.

"Se Macri desvaloriza a moeda, então as pessoas poderão ir para as ruas e protestar", disse Ana Marchessi, advogada de 56 anos e eleitora de Scioli.

(Reportagem adicional de Sarah Marsh, em Buenos Aires, e Karin Strohecker, em Londres)

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