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Maia: 'Proibir aborto em caso de estupro não vai passar na Câmara'

Restrição foi inserida em proposta que tramita na Casa

Brasil|Do R7

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Maia usou rede social para falar sobre tema
Maia usou rede social para falar sobre tema

Aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a proposta de proibir o aborto em casos de estupro no Brasil "não vai passar na Câmara", nas palavras do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O deputado deu a declaração em post publicado nesta sexta-feira (10), em sua página oficial no Facebook. Ainda não há garantia ou data prevista para que o projeto seja levado a votação no plenário.


A proposta foi inserida em uma PEC que já tramitava na Câmara, sobre a ampliação da licença-maternidade em caso de bebês prematuros de 120 para 240 dias.

O relator da proposta, Jorge Tadeu Mudalem (DEM-SP), alterou o texto para incluir também mudanças relacionadas à interrupção da gravidez.


O texto aprovado até agora não deixa claro se as hipóteses de aborto hoje permitidas - para casos de estupro, risco à gestante ou anencefalia do feto — passariam a ser proibidas ou punidas. A Constituição seria alterada para que "o princípio da dignidade da pessoa humana e a garantia de inviolabilidade do direito à vida passem a ser respeitados desde a concepção" e não, como é hoje, após o nascimento.

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Reação conservadora


A tentativa de deixar as regras para aborto mais rigorosas foi uma resposta à 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal que, em 2016, decidiu não considerar crime a prática do aborto durante o primeiro trimestre de gestação, independentemente da motivação da mulher.

A comissão foi instalada em dezembro. Entre os 35 membros titulares do colegiado, só seis são mulheres. Dos parlamentares integrantes, quase um terço tem iniciativas para restringir o direito ao aborto legal.


O presidente da comissão especial, deputado Evandro Gussi (PV-SP), negou que o texto aprovado nesta quarta-feira (8) coloque em risco as garantias já existentes.

"Hoje essas formas não são punidas e assim vai permanecer. O maior impacto do texto é impedir que o aborto seja descriminalizado", disse.

A deputada Érika Kokay (PT-DF), no entanto, tem avaliação diferente. "Impede a discussão da interrupção da gravidez e traz no mínimo, insegurança jurídica para os casos já permitidos no Código Penal", afirmou. Foi aprovado apenas o texto principal. Na próxima semana, será a vez de a comissão especial votar os destaques. Depois, o texto fica disponível para o plenário da Casa, onde precisará de 308 votos para ser aprovado, em dois turnos.

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