Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Mansão de ex-banqueiro vai a leilão com lance mínimo de R$ 78 milhões

Preço de casa de Cid Ferreira pode chegar a R$ 50 mi se não houver proposta

Brasil|Do R7, com Estadão Conteúdo

  • Google News
Imóvel está localizado em um dos bairros mais nobres da capital
Imóvel está localizado em um dos bairros mais nobres da capital

Localizada no topo de uma ladeira no Morumbi, a história da mansão construída pelo ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira pode finalmente mudar de mãos. A empresa Superbid, com o administrador da massa falida do banco Santos, Vânio Aguiar, marcou leilão online do imóvel para 20 de novembro.

O lance mínimo é de R$ 78 milhões.


Embora a venda inclua outros bens, como um edifício invadido e terrenos na marginal Pinheiros, considerados melhores opções de investimento, o ponto central do certame é a casa. Apesar de a mansão estar fechada, deteriorada e desprovida da maioria das obras de arte que a transformavam em uma espécie de museu particular dos Cid Ferreira, o local é todos os dias vigiado por funcionários da administração, encarregados da manutenção do imóvel.

Mansão tem adega, piscinas, biblioteca e vista
Mansão tem adega, piscinas, biblioteca e vista

Adega para 5 mil vinhos


Instalada em terreno de 12 mil m², a residência tem 4,5 mil m² de área construída e inclui facilidades como duas piscinas — uma coberta e outra ao ar livre —, uma adega que abriga 5 mil garrafas de vinho, duas bibliotecas (com coleção de livros de arte incluída) e vista panorâmica da cidade, com os páreos de domingo do Jockey Club de São Paulo em primeiro plano.

Algumas obras de arte de difícil remoção — como pesadas esculturas hoje meio esquecidas em um dos cômodos — vão no pacote do leilão, assim como alguns móveis escolhidos pelos Cid Ferreira nos tempos de bonança.


Só a mesa de jantar de 24 lugares custou, na época, US$ 350 mil (mais de R$ 1 milhão).

Só 2 anos na mansão


O tempo do banqueiro, da mulher e de seus filhos na casa, no entanto, foi curto. Depois de dois anos de obras, a mansão ficou pronta poucos meses antes da falência do Banco Santos ser decretada.

E Cid Ferreira foi obrigado a repensar o uso de certas alas de seu palácio.

Conhecida pelo fascínio por arte — mesmo após a venda de boa parte do acervo, ainda restam na residência quadros e esculturas avaliadas em R$ 11 milhões, a serem negociados separadamente —, a família reservara uma ala da mansão para suítes que abrigariam artistas importantes de passagem por São Paulo.

Manutenção do imóvel custou R$ 8 milhões em 6 anos
Manutenção do imóvel custou R$ 8 milhões em 6 anos

Logo, porém, os quartos tiveram sua função modificada: viraram um bunker da defesa do ex-banqueiro, com pilhas de processos tomando todo o espaço.

Depois de os Cid Ferreira terem sido obrigados a deixar a casa, todos os cômodos foram esvaziados, embora alguns objetos pessoais dos ex-bilionários, incluindo camas e aparelhos de ginástica, tenham sido deixados para lá.

Nesses últimos seis anos, a residência — que, em um certo período, contabilizava quatro moradores e 54 empregados —, custou R$ 8 milhões à massa falida. Isso porque o projeto do arquiteto Ruy Ohtake já incluía, 15 anos atrás, a automação de persianas e um sistema completo de ar-condicionado — luxos que elevaram a conta de luz para R$ 100 mil por mês.

Além dos gastos fixos salgados, um eventual novo dono terá de arcar com uma reforma, já que os problemas se proliferam entre corredores de mármore e escadarias suntuosas: há pisos de madeira podres, lâmpadas caídas e portas que já não abrem e nem fecham.

Leilão da mansão começa no próximo mês
Leilão da mansão começa no próximo mês

Na briga

A chance de que o leilão não saia do papel, porém, ainda é considerável.

Primeiro, por uma questão mercadológica. O interesse por mansões do gênero está em baixa no momento.

E, segundo, porque o advogado Luiz Augusto Winther Rebello já entrou com um agravo e um pedido de liminar para impedir, mais uma vez, o leilão.

O representante entende que a casa deve ser repassada ao condomínio de credores que tem feito a venda e renegociação de ativos do banco. "Não pode ter dois pesos e duas medidas". 

O administrador da massa falida, Vânio Aguiar, argumenta, no entanto, que a venda rápida é a melhor solução, pois o imóvel perde valor tanto por sua depreciação quanto pela crise econômica.

Há quatro anos, quando a mansão de Edemar Cid Ferreira quase foi a leilão, era avaliada em R$ 120 milhões. Agora, o preço caiu para menos de R$ 80 milhões.

Pelas regras do evento agendado para novembro, caso um interessado não apareça em um primeiro momento, pode ser aplicado desconto adicional, que reduziria o desembolso para cerca de R$ 50 milhões. Se não haja disputa, o comprador ainda poderá pedir parcelamento em três vezes.

Apesar do alto desembolso, da necessidade de reparos e da possível dor de cabeça jurídica que o comprador pode enfrentar, o leiloeiro Renato Moysés acredita que a mansão dos Cid Ferreira carregue certo fetiche para os aficionados em luxo. Em 2005, Moysés ajudou a vender móveis e objetos do escritório do Banco Santos e diz ter presenciado disputa ferrenha por itens corriqueiros, como aparelhos de TV e mesas de trabalho.

O leiloeiro disse que a Superbid já recebeu telefonemas de gente interessada em comprar a cama do ex-banqueiro. Desta vez, porém, para satisfazer o desejo de dormir como um bilionário, será preciso gastar como um. 

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.