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Menos de 10% dos deputados federais são negros

Afrodescendentes representam mais de 50% da população

Brasil|Da Agência Brasil

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Mesmo representando mais de 50% da população brasileira, segundo o Censo de 2010, os negros e pardos são minoria no Congresso Nacional, representando menos de 10% do total de deputados federais. Dos 513 deputados federais, somente 43 se reconhecem como negros. Dos 81 senadores, apenas dois são negros ou pardos.

Os números foram apresentados durante o seminário "A Sub-representação de Negras e Negros no Parlamento Brasileiro", que faz parte das comemorações do mês da consciência negra e se referem a um levantamento divulgado pela Unegro (União de Negros pela Igualdade).


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Segundo o deputado federal, Luiz Alberto (PT-BA), presidente da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, apesar da importância, o tema não não tem muito espaço no Congresso e nem é visto pela maioria dos parlamentares como um problema.


— Não há espanto pela ausência de negros no Parlamento. Há espanto [é] pela presença.

Além de Luiz Alberto, somente três deputados participaram do debate. Nenhum deles era branco.


Para a ministra da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Luiza Barros, o debate sobre o tema também está ligado à questão do racismo e do sexismo na sociedade.

— O racismo estabelece para os diferentes grupos os papéis que eles têm de exercer na sociedade. No caso da política, infelizmente, esse papel ainda é definido para o homem branco heterossexual. É fundamental pensar em mecanismos para quebrar essa dominação. 


De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia, Cloves Oliveira, um dos convidados do seminário, além do racismo, a questão está relacionada, principalmente, às distorções no sistema político, que privilegia os candidatos que conseguem mobilizar mais recursos econômicos.

— O ponto fundamental está nos arranjos do sistema eleitoral. Se as possibilidades de se eleger são restritas, o que é colocado em suspeição é a própria ideia de democracia.

A mesma opinião foi compartilhada pelo integrante do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) José Antonio Moroni, que defende a reforma do sistema político.

— Atualmente quem comanda a política é o poder econômico. Não é à toa que as 400 campanhas que mais receberam dinheiro estão no Parlamento.

Moroni representou a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, que defende o financiamento público de campanha e adoção de listas preordenadas para permitir maior presença no parlamento dos segmentos sub-representados.

O deputado Luiz Alberto defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 116 de 2011, proposta de sua autoria que reserva vagas para negros na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, por cinco legislaturas.

A proposta leva em consideração dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de modo que os concorrentes às vagas tenham se declarado negros no último censo. Segundo Luiz, com a medida o número de parlamentares afrodescendentes aumentaria para 150. 

Na avaliação do deputado, o sistema político brasileiro não está contribuindo para que os diferentes setores da sociedade estejam representados no Congresso.

— Sem uma reforma política consistente não teremos uma vida democrática estável. O financiamento público exclusivo de campanha é o caminho.

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