Ministra explica liberação de R$ 2,8 milhões e diz que desfile de moda é arte "além de futebol e carnaval"
Titular da Cultura, Marta Suplicy interveio e ajudou estilista a captar recursos via Lei Rouanet
Brasil|Do R7

O Ministério da Cultura divulgou uma nota oficial, na noite da última quinta-feira (22), para esclarecer o sinal verde para a captação de R$ 2,8 milhões, via Lei Rouanet, para o estilista Pedro Lourenço, que vai participar de dois desfiles de moda em Paris, na França. No comunicado, a ministra Marta Suplicy diz que os desfiles são uma expressão artística e “uma exposição além do futebol e carnaval”.
— Os desfiles são memórias de um tempo no país e nós vemos como arte também. É o 'soft power' do Brasil, uma exposição além do futebol e carnaval, algo que mostra nosso talento na área de criação. São milhares de fotógrafos e cinegrafistas que registram esses eventos. Isso é mídia espontânea do Brasil, num conceito positivo. Entendemos que os desfiles são exposições de Arte do Brasil. Uma coleção de uma indústria não teria esse apoio. Não apoiamos a marca, apoiamos o conceito.
A Lei Rouanet é conhecida principalmente por sua política de benefícios fiscais, que permite que cidadãos pessoa física e empresas invistam parte do Imposto de Renda devido em ações culturais. Dessa forma, além dos incentivos fiscais sobre o valor do incentivo, pessoas e firmas fortalecem iniciativas culturais que não se enquadram em programas do Ministério da Cultura.
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Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a liberação só ocorreu porque a ministra da Cultura, Marta Suplicy, interferiu no processo. No comunicado, o ministério informa que “a decisão da ministra Marta Suplicy em autorizar projetos do segmento de moda a buscarem patrocínio via renúncia fiscal é fruto de um diálogo com o setor que vem desde o ano passado”.
O objetivo do Ministério da Cultura, segundo a nota, é explorar quatro eixos com propostas que podem se encaixar na Lei Rouanet: a internacionalização da moda; a criação com simbologia brasileira; a formação de novos agentes do segmento moda (estilistas, por exemplo); e a preservação de acervos – como, por exemplo, as obras de Zuzu Angel e Dener.
Ainda de acordo com o ministério, outros dois estilistas também mostrarão o soft power brasileiro nas passarelas, a partir da aprovação de projetos pela Lei Rouanet. A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União.
Alexandre Herchcovitch vai expor numa coleção feminina o movimento de antropofagia cultural nas mostras de Moda em São Paulo e Nova York.
Já Ronaldo Fraga deverá apresentar ao público, de acordo com a nota, “os artefatos têxteis e as técnicas brasileiras que transitam entre o popular e o erudito” durante a mostra "Artesãos do Brasil na poética da moda", que será realizada em São Paulo.















