Ministro da Justiça diz que está tranquilo após pedido de comissão
José Eduardo Cardozo afirmou que quem cumpre a lei não age de forma antiética
Brasil|Do R7

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira (9) estar "absolutamente tranquilo" em relação ao pedido de informações sobre a investigação do cartel de trens e de metrô em São Paulo, encaminhado a ele pela Comissão de Ética da Presidência da República.
— Quem cumpre a lei seguramente não age de forma antiética [...] É correto, legal e normal o procedimento da Comissão de Ética da Presidência ao requerer informações.
O PSDB acusa Cardozo de usar o cargo para determinar uma "investigação seletiva", com o objetivo de perseguir adversários políticos tucanos e abafar os desdobramentos do escândalo do mensalão, que atinge o PT.
Para o deputado Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, o ministro mirou as eleições de 2014 quando pediu investigação à Polícia Federal — e não à Procuradoria Geral da República — sobre denúncias de corrupção envolvendo cartel de trens e de Metrô em governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.
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Cardozo diz que não poderia engavetar uma denúncia.
— O ministro da Justiça não pode ser um engavetador geral de denúncia. Se fosse assim, seria um prevaricador geral [...] Quem quer criar uma polêmica eleitoral para tirar o foco das investigações não vai nos intimidar.
O Estado de S. Paulo revelou nesta segunda-feira que a Justiça Eleitoral barrou estratégia do presidente do Cade ( Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinícius de Carvalho, que pleiteava o reconhecimento retroativo de sua desfiliação do PT para a data de 16 de maio de 2008. Ao requerer a retroatividade, Carvalho pretendia evitar questionamentos sobre a legitimidade do exercício de seu mandato no Cade, cadeira que ocupa desde 30 de maio de 2012. Para Cardozo, ele não fez nada ilegal.
— Ele não cometeu nenhuma prática ilegal.
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Em maio, o Cade fez acordo de leniência com executivos da multinacional alemã Siemens, entre eles Everton Rheinheimer, que revelou cartel no sistema de trens e Metrô em São Paulo. O acordo de leniência é semelhante à delação premiada, no qual o denunciante tem a possibilidade de reduzir sua pena, em troca da colaboração com autoridades.
Cardozo afirmou que os documentos com a denúncia sobre o esquema de corrupção foram entregues a ele pelo deputado licenciado Simão Pedro (PT), hoje secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo. Vinícius de Carvalho, o presidente do Cade, trabalhou no gabinete de Simão Pedro na Assembleia Legislativa, mas omitiu esse fato de seu currículo. "Foi um lapso", disse ele à época. O gesto lhe custou uma advertência da Comissão de Ética da Presidência.















