Brasil Moro condena ex-deputado André Vargas a 4 anos e meio na Lava Jato

Moro condena ex-deputado André Vargas a 4 anos e meio na Lava Jato

Ex-petista ficou famoso por levantar punho na Câmara em protesto contra ministro do STF

  • Brasil | Do R7

Ex-deputado André Vargas (com punho levantado) foi condenado pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato

Ex-deputado André Vargas (com punho levantado) foi condenado pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato

Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados

O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), condenou o ex-deputado petista André Vargas a 4 anos e meio de reclusão pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

Vargas recebia propina em contratos públicos com uma agência de publicidade enquanto era vice-presidente da Câmara, total que chegou a R$ 480 mil e foi usado para a compra de um imóvel, de acordo com a sentença.

Em seu despacho, Moro disse que "o condenado recebeu propina não só no exercício do mandato de Deputado Federal, mas tambem da função de Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, esta entre os anos de 2011 a 2014, período que abarca os fatos objeto desta ação penal (maio a novembro de 2011)".

O juiz relembrou "o gesto de afronta do condenado ao erguer o punho cerrado ao lado do então Presidente do Supremo Tribunal Federal, o eminente Ministro Joaquim Barbosa, na abertura do ano legislativo de 2014, em 04/02/2014, e que foi registrado em diversas fotos".

Moro considerou que "o parlamentar, como outros e talvez até mais do que outros, tem plena liberdade de manifestação. Protestar contra o julgamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 é algo, portanto, que pode e poderia ter sido feito por ele ou por qualquer um, muito embora aquela Suprema Corte tenha agido com o costumeiro acerto".

— Entretanto, retrospectivamente, constata-se que o condenado, ao tempo do gesto, recebia concomitantemente propina em contratos públicos por intermédio da Borghi Lowe. Nesse caso, o gesto de protesto não passa de hipocrisia e mostra-se retrospectivamente revelador de uma personalidade não só permeável ao crime, mas também desrespeitosa às instituições da Justiça.

Preso desde abril de 2015 por envolvimento no esquema de pagamento de propinas que desviava recursos da Petrobras, Vargas já havia sido condenado, em setembro daquele ano, a 14 anos e 4 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro desviado de contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal. Ele foi preso na 11ª fase da operação, denominada A Origem.

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