Moro recebe denúncia e ex-tesoureiro do PT, dono da Odebrecht e marqueteiro do PT viram réus na Lava Jato
Marcelo Odebrecht e João Vaccari Neto já foram condenados em outras denúncias da operação
Brasil|Do R7

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos desdobramentos da Lava Jato na 13ª Vara Criminal Federal em Curitiba (PR), aceitou nesta sexta-feira (29) a denúncia oferecida pela força-tarefa da operação e tornou o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-marqueteiro do PT João Santana e o dono da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, réus pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Além da denúncia aceita hoje, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso desde 19 de junho de 2015, já teve outras duas denúncias aceitas, sendo que já foi condenado em uma delas a 19 anos e quatro meses de prisão. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado a 15 anos de prisão na operação, é outro alvo das duas denúncias.
Também se tornou ré Maria Lúcia Tavares, secretária que atuava no "departamento da propina" da Odebrecht e fez delação premiada, revelando como funcionava os repasses de propinas da maior empreiteira do País por meio de apelidos com referências a alimentos e até um software específico.
Leia mais notícias de Brasil e Política
Ontem, os procuradores da República em Curitiba, responsáveis pela investigação na primeira instância, apresentaram denúncias contra 17 pessoas investigadas na 23ª e 26ª fases da Lava Jato. A primeira investigou pagamentos feitos ao marqueteiro de campanhas do PT João Santana e a outra apurou o pagamento de vantagens indevidas pela Odebrecht a funcionários públicos.
Uma das denúncias chegou a ser oferecida em março, mas como o juiz Sérgio Moro teve de remeter as investigações para o Supremo, a acusação não chegou a ser analisada. Agora, por decisão do STF, o caso voltou para a primeira instância e será avaliado por Moro.
São as primeiras acusações formais desde que a Lava Jato avançou sobre o "departamento de propinas" da Odebrecht e sobre o ex-senador Gim Argello (PTB), preso preventivamente sob suspeita de receber R$ 5,3 milhões para evitar a convocação de empreiteiros nas CPIs que investigaram a Petrobras no Senado e no Congresso em 2014.
Com as denúncias de ontem, chegam a 39 as acusações da Lava Jato contra investigados acusados de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa, tráfico de drogas, crimes contra o sistema financeiro, dentre outros.
Das 39 acusações, o juiz Sérgio Moro já proferiu sentença em 18 ações penais, contabilizando 93 condenações cujas penas somadas chegam a 990 anos e sete meses de prisão.
Os investigadores apontaram o pagamento de R$ 6,4 bilhões em propinas, dos quais ao menos R$ 2,9 bilhões já foram recuperados por meio de acordos de colaboração premiada. Ao todo, segundo o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, já são 65 acordos de colaboração firmados no âmbito da operação, a maior do País.















