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Morte de Leandro Lo é mais um alerta sobre a grave banalização da violência no Brasil

O assassinato do atleta vem se somar aos casos em que pessoas morrem em situações que não deveriam terminar em tragédia 

Brasil|Marco Antonio Araujo, do R7

Leandro Lo foi baleado na cabeça durante show em um clube esportivo
Leandro Lo foi baleado na cabeça durante show em um clube esportivo Leandro Lo foi baleado na cabeça durante show em um clube esportivo

A violência mortal no Brasil ganhou uma característica assustadora: ela está sendo praticada de forma fútil — e pandêmica. A cada semana, ou mesmo a cada dia, vemos com mais frequência casos de homicídios cometidos em circunstâncias tão banais que já deveríamos há muito ter ligado um alerta vermelho a ser percebido por toda a sociedade. A morte cerebral do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo só vem aumentar o volume desse alarme urgentíssimo.

Ainda não temos todos os detalhes sobre a tragédia, mas é evidente que o assassinato do atleta ocorreu numa situação e em um local em que é difícil imaginar que tudo não pudesse ter se resolvido de forma menos aterradora. E esses surtos, essas explosões, essa facilidade com que pessoas estão se matando já fazem parte de nosso cotidiano.

Temos que tomar um cuidado que só agrava a questão: nessa conta macabra de mortes por motivos fúteis e banais, não se deve colocar os feminicídios. O assassinato de mulheres no Brasil é outra chaga, enorme, de difícil solução a curto prazo. Somos um dos cinco países em que mais mulheres morrem vítimas de companheiros, ex-maridos ou conhecidos. O feminicídio, há muito, deveria ser questão de Estado.

O que piora nosso cenário é que (fora do contexto estrutural da violência doméstica — e dos latrocínios e crimes comuns) a banalização da violência vem aumentando a olhos vistos. Pessoas matam por causa de um pastel, de uma discussão política, por preferências esportivas, por um cupom de desconto, por brigas de trânsito, por rigorosamente nada.

O cidadão comum está participando de nossas estatísticas de homicídios de forma volumosa e acelerada. Não cabe aqui fazer suposições sobre as causas desse fenômeno tétrico e fúnebre. É hora de nos determos nos fatos e procurarmos soluções que, de imediato, passam pela conscientização de que vivemos um momento gravíssimo. Ninguém está seguro nesse quadro de descontrole. Precisamos enfrentar esse flagelo social.

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