Brasil MP de São Paulo ouve 'controlador de propina' da Odebrecht

MP de São Paulo ouve 'controlador de propina' da Odebrecht

Promotores queriam obter de Mascarenhas mais provas em cinco ações de improbidade administrativa e um caso criminal que envolve Gilberto Kassab

Promotoria ouviu Hilberto Mascarenhas

Promotoria ouviu Hilberto Mascarenhas

REUTERS/Paulo Whitaker

O MPE (Ministério Público Estadual) de São Paulo retomou as tratativas para fechar dois novos acordos de leniência com a Odebrecht.

A Promotoria ouviu nesta quinta-feira (22) o depoimento de Hilberto Mascarenhas, responsável peloSOE (Setor de Operações Estruturadas), o departamento de propina da empreiteira.

Os promotores queriam obter de Mascarenhas mais provas em cinco ações de improbidade administrativa e um caso criminal que envolvem o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, seu ex-secretário de Controle Urbano, Orlando Almeida Filho, o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP) e diretores da Dersa que teriam recebido propina durante a realização de obras do Rodoanel.

O promotor José Carlos Blat, um dos responsáveis por investigar os casos relacionados à Lava Jato no MPE, falou sobre a investigação. 

— Ele (Mascarenhas) explicou como funcionava o SOE, como era planejado o caixa 2 e como eram feitos os pagamentos, se no Brasil ou no exterior. Contou ainda quem autorizava os pagamentos e os codinomes e senhas usados pela empresa nessas operações.

De acordo com ele, Mascarenhas confirmou aos promotores o que ele havia relatado ao Ministério Público Federal quando fechou o acordo de delação homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).

No caso de Kassab, o MPE acusa o ministro de improbidade administrativa porque supostamente recebeu R$ 21 milhões da empreiteira. O dinheiro teria sido pago em razão de obras, como o túnel da Avenida Roberto Marinho, na zona sul.

No caso de Garcia, os promotores apuram dois supostos pagamentos de R$ 100 mil que o deputado teria recebido para sua campanha em 2010. Almeida é investigado pelo suposto recebimento de R$ 6 milhões.

Defesas

A assessoria de Kassab informou que "o ministro não tem ciência dos fatos mencionados".

— Como já afirmou, entende que, na vida pública, as pessoas estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário, e ressalta sua tranquilidade e confiança na Justiça.

Garcia afirmou que "ao final do inquérito, vai ficar comprovado a lisura da prestação contas da minha campanha em 2010". A Dersa informou que ela e o governo do Estado são "os grandes interessados quanto ao andamento das investigações". A reportagem procurou Almeida Filho, mas não o localizou. 

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