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Não há 'golpismo', afirma ex-presidente do Supremo

Brasil|Do R7

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Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral Carlos Ayres Britto afirmou ontem não ver "perigo de golpe" contra a presidente Dilma Rousseff, caso as instituições de investigação atuem "nos marcos da Constituição".

— Eu não vejo perigo de golpe se as instituições controladoras do poder, o Ministério Público, a própria cidadania, considerada como instituição extra pública estatal de investigação, os tribunais de contas, se todas atuarem nos limites, nos marcos da Constituição não há que se falar de golpe.

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Em resposta a movimentos de opositores e de setores da sociedade que defendem a saída da presidente antes do fim do mandato, Dilma e aliados do governo voltaram a rechaçar a ofensiva e definiram-na como "golpismo".

— Ninguém está blindado contra a investigação.

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Ao ser questionado sobre a situação atual da presidente - que é alvo de um processo no TSE movido pelo PSDB contra sua campanha no ano passado e também corre o risco de ter as contas de 2014 rejeitadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) — Ayres Britto reconheceu o cenário difícil vivido por Dilma.

— Pelo andar da carruagem, a situação não está boa em nenhuma das duas instâncias.

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O ex-ministro, contudo, evitou se manifestar pela condenação ou pela inocência de presidente em ambos os casos.

— Não quero avançar em um juízo técnico de antecipação de resultado.

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Mensalão

Durante a entrevista, Ayres Britto, que presidiu o Supremo no começo do julgamento do mensalão, relembrou o caso e disse que "o grande legado" do julgamento da ação penal 470 foi mostrar que a lei vale para todos.

Ao ser questionado sobre o impacto para os magistrados de julgar casos com grande repercussão popular, Ayres Britto disse que a opinião pública "incentiva o julgador".

— Nesses momentos, de expectativa social mais aguda, evidente que o juiz é humano, ele sabe que os olhos mais acesos da própria Nação estão focados sobre ele. Ele se toma naturalmente de um empenho maior.

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