Negros são 79% das vítimas de mortes causadas por ações policiais

Números dizem respeito às mortes ocorridas no ano de 2019. Neste período, 35.543 negros foram mortos, o equivalente ao Estádio do Pacaembu cheio

Protestantes em ato contra racismo em junho, em São Paulo

Protestantes em ato contra racismo em junho, em São Paulo

Amanda Perobelli/Reuters - 07.06.2020

Negros são 79,1% das vítimas de intervenções policiais que resultam em morte, de acordo com o infográfico sobre “Violência e Desigualdade Racial no Brasil”, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado nesta sexta-feira (20), data que marca o Dia da Consciência Negra.

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Os números dizem respeito às mortes ocorridas no ano de 2019 em todo o país. Neste período, 35.543 pessoas pretas foram mortas, o equivalente ao Estádio do Pacaembu (SP) quase em sua capacidade total de ocupação.

Mais da metade da população brasileira é de pessoas autodeclaradas negras (56,7%) e esse número pode ser ainda maior considerando os que não se declaram como tais. Mas, ainda assim, o grupo tido como "minoria social" é mais vulnerável às violências que resultam em morte.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2020

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2020

Reprodução/FBSP

Na noite desta quinta-feira (19), João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi espancando e morto por dois homens brancos em uma unidade da rede de supermercados Carrefour em Porto Alegre (RS). Os agressores são um segurança e um PM temporário.

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O fato não é isolado. Guilherme Guedes, de 15 anos foi sequestrado, torturado e assassinado com ao menos dois tiros na cabeça, em São Paulo (SP). Os acusados pelo crime são um sargento da Polícia Militar e um ex-PM que prestavam serviço de segurança particular, de acordo com investigações da Polícia Civil.

Outro exemplo foi o que aconteceu em uma unidade do supermercado Extra, do GPA (Grupo Pão de Açúcar), no Rio de Janeiro (RJ), em fevereiro do ano passado. Pedro Gonzaga, um jovem negro de 19 anos, foi imobilizado e morto por um segurança.

Quando o recorte de gênero é feito, a desigualdade fica ainda mais evidente. Das mulheres vítimas de feminicídio em 2019, 66,6% são negras. Pessoas negras têm 2,7 mais chances de morrerem vítimas de homicídio. 

No momento do parto, a realidade não muda. Das vítimas de mortalidade materna 60% são negras. Segundo dados do Ministério da Saúde, somente 27% das mulheres negras tiveram acompanhamento durante o parto, enquanto que entre as não negras esse número é de 46%.

As estatísticas também mostram que mulheres negras são mais assassinadas. Nos últimos dez anos, a taxa de homicídio entre negras aumentou 12,4% enquanto que a de mulheres não negras caiu 11,7%.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Celso Fonseca