'Ninguém aguenta mais tanto roubo', dizia Geddel em ato contra corrupção em 2015
PF encontrou malas e caixas de dinheiro em apartamento de ex-ministro
Brasil|Do R7

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (Governo Michel Temer) foi às ruas em 2015 em ato contra corrupção. Taxativo, disse, na ocasião à 'TV do Servidor Público (TVSP)': "ninguém aguenta mais tanto roubo". Naquela época, Dilma Rousseff presidia o País.
— O mesmo que todo cidadão brasileiro que está indo para as ruas, dizer que basta, que chega. Não se suporta mais um governo tão incompetente, incapaz de unificar o País, incapaz de nos tirar dessa crise econômica que faz com que o assalariado tenha seu salário comido pela inflação, com desinvestimento, obras públicas que não avançam, um país que se desorganizou, perdeu respeitabilidade. E dizer que chega, ninguém aguenta mais tanto roubo, isso deixou de ser corrupção, isso é roubo, é assalto aos cofres públicos para enriquecer os petistas."
Geddel foi ministro da Integração Nacional do Governo Lula e vice-presidente da Caixa Econômica Federal no Governo Dilma. O repórter pergunta o que mudou da gestão Lula para Dilma.
— Primeiro que a gente vai descobrindo as coisas, né? Da mesma forma que o povo brasileiro. É sempre bom lembrar que a presidente até pouco tempo tinha mais de 50%, 60% de apoio, chegou a ter 67%. O povo muda, da mesma forma a gente descobre, a gente vê que como é que as coisas são. Isso é como um casamento. Você quando casa imagina que é para a vida inteira. As circunstâncias e a vida vão mostrando que as pessoas tinham defeitos que você não conheceu antes. Portanto, o que eu vi é que o PT tinha um projeto de poder exclusivamente, um projeto para eles, um projeto sustentado na corrupção, no roubo do dinheiro público e não dava para continuar nessa estrutura.
Nesta terça-feira (5), a Polícia Federal apreendeu em um apartamento em Salvador, no bairro da Graça, apontado como bunker do Geddel, uma fortuna de R$ 51 milhões. O dinheiro estava em malas e caixas no imóvel.
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Foram apreendidos R$ 42.643.500,00 e US$ 2.688.000,00. O dinheiro será depositado em uma conta judicial.
O valor em dólar foi convertido para real e chegou a R$ 8.387.366,40. Foi usada a cotação de venda desta segunda pelo Banco Central - 1 dólar = 3,1203 reais.
O dinheiro foi apreendido na Operação Tesouro Perdido, nova fase da Cui Bonno?. A ação foi autorizada pela 10.ª Vara Federal de Brasília.
Ele está em prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica. O ex-ministro foi preso em 3 de julho e mandado para casa em 12 de julho.
A investigação é conduzida pelo delegado Marlon Oliveira Cajado que, nas últimas semanas ouviu, entre outras pessoas, o corretor Lúcio Bolonha Funaro. Um outro depoimento de Funaro já havia resultado na prisão de Geddel.
Em depoimento à Procuradoria da República em Brasília, Funaro disse ter entregue "malas ou sacolas de dinheiro" ao ex-ministro. O corretor declarou ter feito "várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel".
— Essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador/BA, diretamente nas mãos de Geddel.
Em agosto, Geddel se tornou réu por obstrução de Justiça. O ex-ministro teria atuado para evitar a delação premiada do corretor Lúcio Funaro, que poderia implicá-lo em crimes de corrupção na Caixa Econômica Federal.















