Novos presidentes da Câmara e do Senado devem manter boa relação com Dilma
Especialistas avaliam que PMDB no comando do Congresso fica fortalecido para 2014
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Com a vitória do peemedebista Renan Calheiros (AL) na eleição para a presidência do Senado na última sexta-feira (1º) e a confirmação de Henrique Eduardo Alves (RN) na presidência da Câmara dos Deputados, o que deve acontecer na segunda-feira (4), o PMDB vai acumular os cargos mais altos da mesa diretora do Congresso, além da vice-presidência da República, com Michel Temer.
O governo Dilma concordou com esse acúmulo de poder quando fechou acordo de revezamento em 2011, estabelecendo que, nos dois primeiros anos da legislatura, a Câmara seria presidida por um petista e, nos dois anos finais, por um peemedebista.
Além disso, os candidatos, favoritos ao cargo, têm o apoio oficial do Planalto e da base governista no Congresso. Tudo isso indica, segundo especialistas ouvidos pelo R7, que pouco deve mudar na relação entre os poderes Legislativo e Executivo.
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Na avaliação do cientista político da UnB (Universidade de Brasília), Antonio Flávio Testa, os peemedebistas no comando do Congresso mantêm a coalizão, entre PT e PMDB, que sustenta o governo.
Segundo ele, nada vai mudar na relação com Dilma, mas pode aumentar a pressão, principalmente da Câmara dos Deputados, para que sejam atendidos interesses momentâneos de alguns grupos de parlamentares.
— Não altera nada porque o PT terá as lideranças de governo e quem tem o cofre é o chefe do Executivo. Se a mesa diretora fosse composta por opositores e o governo tivesse minoria no Congresso, a coisa seria complicada. Mas, não é essa a situação.
O professor Octaciano Nogueira, cientista político da UnB, avalia que, mesmo que os favoritos não se confirmem no cargo, a relação entre o Congresso e a presidente Dilma não vai mudar.
Segundo ele, qualquer que seja o resultado das eleições no Senado e na Câmara, o relacionamento entre os Poderes vai continuar o mesmo.
— O que vale não é a relação individual de cada parlamentar. Isso não altera a relação institucional porque a relação que se faz não é entre as pessoas e sim entre as instituições. Pode ser que a presidente tenha mais interesse em um do que em outro. Mas isso também não se torna público.
Mas o cientista político da UnB, João Paulo Peixoto, analisa que é muito poder na mão do PMDB e que, se os favoritos vencerem, haverá reflexo nas eleições presidenciais.
— Certamente fortalece e muito o PMDB. Em um curto prazo, isso não deve alterar nada. O que está em jogo é qual será o posicionamento do PMDB nas eleições presidenciais.
Eleições 2014
Para Peixoto, com a presidência do Senado e da Câmara, o PMDB terá maior poder de barganha para as eleições de 2014. Na visão do cientista político, se o favoritismo dos peemedebistas se confirmar, não haverá espaço para outro partido na chapa de Dilma no ano que vem.
— Se o PMDB ganhar na Câmara e no Senado, vai ser difícil tirar o Michel Temer.
Já Antonio Flávio Testa avalia que o impacto nas eleições de 2014 depende mais da escolha dos líderes partidários na Câmara.
Para o especialista, se Anthony Garotinho (RJ) for confirmado como líder do PR e Eduardo Cunha (RJ) vencer a disputa pela liderança do PMDB, a presidente pode enfrentar dificuldades nas negociações.
— O Garotinho é pré-candidato ao governo do Rio e faz oposição feroz ao governador, Sérgio Cabral (PMDB), que é aliado do governo federal. O Eduardo Cunha tem uma bancada muito forte e é um grande comerciante, então ele vai exigir muita coisa, como indicação de cargos e aprovação de projetos de interesse desse grupo.
Segundo o cientista político, a presidente Dilma pode sentir dificuldades quando precisar desses votos para aprovar projetos que tenham votações apertadas na Câmara. Segundo ele, esses grupos podem cobrar um preço mais alto, mas “nada que o governo não possa pagar”.
Por outro lado, o professor Octaciano Nogueira acredita que as presidências no Congresso ou lideranças partidárias não tem poder de interferir nas eleições.
— O partido ser majoritário não altera as relações eleitorais dos candidatos à presidência da República nem nas eleições. A mudança de um líder não muda as relações institucionais.















