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Obra de sede da Petrobras na BA teve desvios de R$ 140 mi, diz MPF

Investigações indicam pagamentos de propina de R$ 68 milhões e outros R$ 69 milhões pagos a empresa que não executou serviços contratados

Brasil|Fernando Mellis, do R7

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Torre Pituba custou R$ 1,3 bi
Torre Pituba custou R$ 1,3 bi

A Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) apuraram desvios de aproximadamente R$ 140 milhões nas obras da Torre Pituba, sede da Petrobras em Salvador (BA).

A construção foi financiada pelo fundo de previdência da estatal e a empresa se comprometeu a alugar o espaço por 30 anos. As fraudes no empreendimento motivaram a 56ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Sem Fundos, deflagrada nesta sexta-feira (23) — a primeira com mandados expedidos pela juíza Gabriela Hardt, após a saída de Sergio Moro para assumir o Ministério da Justiça.

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A Petros (Fundação Petrobras de Seguridade Social) contratou a empresa Mendes Pinto Engenharia para gerenciar as obras da Torre Pituba. No entanto, o MPF apurou que eram as empreiteiras Odebrecht e OAS que de fato faziam todos os projetos e levantamentos necessários, conforme explica a procuradora da República Laura Gonçalves Tessler.

"O volume de propinas distribuídos nessa obra chegou a R$ 68 milhões e a empresa Mendes Pinto, em contrato, recebeu R$ 69 milhões para praticamente não realizar as atividades para as quais foi contratada. Então, já falamos em R$ 140 milhões desviados do fundo [Petros] e obviamente embutidos no valor do projeto da construção da torre Pituba."

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Ainda segundo a procuradora, a obra foi superfaturada, o que encareceu o contrato de aluguel futuro da Petrobras.

"Inicialmente [o projeto] era previsto R$ 320 milhões, saltou para R$ 700 milhões e depois foram acrescentados mais R$ 158 milhões. Esse projeto acabou somando R$ 1,3 bilhão. A Petrobras se comprometeu, em valores de 2016, em mais de R$ 1,4 bilhão, como projeção de alugueis que iria pagar no futuro, portanto, superiores ao que deveria estar pagando."

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As investigações identificaram pagamentos de propina a dirigentes da Petrobras e da Petros entre 2011, início das obras, até 2016, quando elas foram concluídas.

Há registros de repasse de valores ilegais mensais, pagos em espécie em hotéis de São Paulo.

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Chamou atenção do Ministério Público o fato de os atos de corrupção terem continuado mesmo com o andamento da Lava Jato. 

"Foi um esquema realmente gigantesco. A ousadia nesse esquema é chocante, porque pagamento de propina foi feito em 2015, 2016, prosseguiu com contratos fictícios, eram pagos mensalmente, mesmo depois do avançar da Operação Lava Jato", ressaltou Laura Tessler.

O PT também teria sido beneficiado, segundo o MPF, com propina de cerca de 1% de todo o valor da obra. Os pagamentos eram feitos à cunhada do ex-tesoureiro do partido João Vaccari, Marice Corrêa de Lima, alvo de mandado de prisão temporária cumprido nesta sexta-feira.

"Os elementos agora reunidos indicam a participação dela [Marice] nos recebimentos por via de pagamentos efetuados pela OAS, inclusive documentalmente registrados. Valores em espécie e também coordenava os recebimentos para doações partidárias para o Diretório Nacional", completou a procuradora.

A Justiça Federal em Curitiba expediu ao todo 14 mandados de prisão preventiva e 22 de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento no esquema, incluindo ex-presidentes da Petros. As ordens foram cumpridas em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Um dos alvos é cidadão israelense está fora do país.

A PF não divulgou a lista completa das pessoas que tiveram as prisões decretadas porque nem todas haviam sido localizadas até o fim da manhã.

Em nota, a Petrobras diz que é reconhecida pelas autoridades "como vítima" dos atos de corrupção. 

"A companhia reforça a informação, divulgada pelos procuradores da República, de que a nova fase da Operação Lava-Jato deflagrada nesta sexta-feira, 23/11, teve início a partir de uma investigação que a própria empresa realizou internamente e cujos relatórios com os resultados foram enviados ao Ministério Público Federal. A Petrobras vem colaborando com as investigações desde 2014, e atua como coautora do Ministério Público Federal e da União em 16 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 54 ações penais", afirma a empresa.

A Petros informou que "vem colaborando de forma irrestrita com as autoridades e já vinha acompanhando de perto as investigações envolvendo o investimento na Torre Pituba". A Fundação não se pronuncia sobre os investimentos em investigação.

O R7 tenta contato com o Partido dos Trabalhadores e demais citados na reportagem. 

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