Oposição quer colocar tesoureiro do PT e ex-dirigentes da Petrobras frente a frente na CPI
Relator quer dar prioridade à convocação de empresários e do doleiro Alberto Youssef
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Com quase um mês de funcionamento, a pauta da CPI da Petrobras já tem 419 requerimentos aguardando votação dos deputados. A expectativa é que alguns deles sejam votados na sessão desta terça-feira (24), reservada justamente para que os deputados discutam os próximos passos da investigação.
A maioria dos requerimentos pede a convocação de pessoas suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, ou testemunhas que podem ajudar com informações sobre o caso.
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Entre os pedidos de convocação para depoimento, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é o campeão. Além de pedirem esclarecimentos de Vaccari, deputados da oposição também sugerem uma acareação entre ele e o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco – que já prestou depoimento na CPI e reafirmou que o tesoureiro do PT era um dos beneficiários do esquema de corrupção da estatal.
Como Vaccari e o PT negam as acusações, os parlamentares querem colocar acusado e acusador frente à frente e confrontar as versões. A oposição também sugere uma acareação entre os dois e mais o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, que esteve na sessão da CPI na última quinta-feira (19), mas não respondeu às perguntas.
O lobista apontado como operador do esquema da Petrobras em favor do PMDB, Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, também está na lista das pessoas que os deputados querem ouvir.
Entre ministros e ex-ministros, deputados da oposição pedem a convocação de Eduardo Cardozo (Justiça), José Dirceu (ex-Casa Civil), Antonio Palocci (ex-Casa Civil) e Edison Lobão (ex-Minas e Energia).
A presidente da Caixa Econômica, Miriam Belchior, e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, também podem ser ouvidos na CPI da Petrobras. Como os dois integraram o Comitê de Auditoria da Petrobras, os deputados acham importante ouvi-los na comissão.
Parlamentares suspeitos
Os senadores que estão sendo investigados, suspeitos de receberem dinheiro desviado da Petrobras, também aparecem em requerimentos da CPI da Petrobras. Entre os pedidos de convocação, aparecem os nomes da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e dos senadores Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO), Benedito de Lira (PP-AL), Fernando Collor (PTB-AL), Antonio Anastasia (PDSB-MG), além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Os deputados investigados também estão nos requerimentos de convocação. Entre os parlamentares suspeitos de participação no esquema de corrupção da petroleira, somente o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prestou depoimento na CPI.
Cunha foi à comissão de maneira voluntária e a sessão se transformou em um ato de desagravo, uma vez que o presidente recebeu até aplausos dos colegas na comissão.
Judiciário e celebridades
Além de ex-dirigentes da Petrobras, parlamentares e pessoas suspeitas de atuarem como operadores do esquema ilegal, algumas celebridades e até integrantes do Judiciário podem ser ouvidos na CPI.
Entre as centenas de requerimentos, há pedidos para convidar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro, e até o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli.
A oposição quer chamar Toffoli para que ele explique porque pediu para compor a Segunda Turma do STF, colegiado que será responsável por julgar as ações penais decorrentes da Operação Lava Jato. A mudança foi autorizada no início deste mês, logo após o Supremo autorizar as investigações contra os políticos suspeitos de participação no esquema.
Entre as celebridades que figuram na lista de requerimento, estão os nomes da socialite Val Marchiori e da apresentadora Marina Mantega.
Val teria recebido facilidades para conseguir um empréstimo de R$ 2,7 milhões no Banco do Brasil quando a instituição era presidida por Aldemir Bendine – atual presidente da Petrobras. Já Marina Mantega é filha do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Palavra do relator
Como são muitos requerimentos, o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), acredita que é preciso estabelecer prioridades para as oitivas. Segundo ele, para dar seguimentos a ordem estabelecida para os trabalhos, o mais importante agora é ouvir os empresários e depois o doleiro Alberto Youssef.
— Já ouvimos a Petrobras. Agora, temos que ouvir empresas, o operador maior, Alberto Youssef, os seus braços e depois chegar nos políticos e nos partidos. O ideal agora seria convocar os empresários e logo depois, Youssef.















