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Parlamentares insatisfeitos entregam relatório paralelo da CPI à PGR

Grupo pede o indiciamento de pessoas que, segundo eles, receberam recursos públicos pagos de forma fraudulenta

Brasil|Agência Brasil

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Insatisfeito com o relatório final da CPI (Comissão Parlamentar Inquérito) do Cachoeira, um grupo de parlamentares ditos independentes entregou nesta quinta-feira (22) ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação para que o Ministério Público Federal aprofunde as investigações de dados que não foram analisados pela CPI. 

No documento, com 88 páginas, o grupo ainda reitera o apoio a Gurgel e pede o indiciamento de pessoas que, segundo eles, receberam recursos públicos pagos de forma fraudulenta à empreiteira Delta Construção.


O senador Pedro Taques (PDT-MT) justificou a ação dizendo que a CPI foi uma perda tempo.

— Em razão de questões políticas partidárias, a CPMI não avançou. Isso significa que perdemos tempo, e o lixo não foi mostrado à sociedade brasileira. O ideal é a representação e fizemos isso ao entregar o documento ao procurador-geral da República. A CPMI poderia ter investigado mais, sobretudo, aquelas pessoas fantasmas que receberam milhões de reais da Delta, que recebeu dinheiro do Tesouro Nacional via Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).


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O então diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot foi exonerado da entidade em meio a denúncias de corrupção. Em depoimento à CPMI, ele disse não renegar sua gestão e que poderia prestar esclarecimentos, inclusive, em uma eventual CPI do Dnit.


Na mesma ocasião, sobre a Delta, Pagot disse que esteve em algumas ocasiões com o ex-dono da construtora Fernando Cavendish e o representante da empreiteira no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, apontado pela Polícia Federal como um dos integrantes da quadrilha de Cachoeira.

De acordo com o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), os governistas na CPMI impediram o aprofundamento das investigações de uma organização criminosa muito maior do que a chefia pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Por esta razão, enfatizou, o grupo de parlamentares elaborou a representação.


— Começamos em torno da organização do Carlinhos Cachoeira e descobrimos que há uma organização muito maior, que movimenta volume de recursos extraordinários. Essa organização se espalhou por vários estados e se apropriou de recursos público, dentro do governo federal, particularmente no Dnit.

Segundo ele, o esquema chefiado pela Delta movimentou cerca de R$ 540 milhões.

Na última quarta-feira (21), Odair Cunha disse que aceita fazer mudanças no relatório.

— O relatório é da comissão. Não queremos fazer nenhum cavalo de batalha. O que fiz foi apresentar minhas convicções sobre as pessoas que se envolveram com a organização criminosa e dela participaram.

Ao sugerir o indiciamento de 46 pessoas que se envolveram com o esquema montado por Cachoeira, o relator destacou que individualizou a conduta de todas as pessoas envolvidas com o grupo.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que a representação vai ajudar o Ministério Público a continuar as investigações.

— Certamente, há informações para que o Ministério Público dê continuidade aos trabalhos.

Alvo do relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), que em no parecer final pede que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue a conduta do procurador-geral por não ter dado prosseguimento às investigações quando recebeu o inquérito da Operação Vegas, Gurgel volta a dizer que, na ocasião havia apenas fatos “diminutos”.

— Tenho ressaltado que tivemos uma opção estratégica de investigação que se comprovou bem-sucedida.

Segundo ele, o inquérito da Operação Vegas tratava apenas de questões ligadas a jogos ilegais e o fato de não ter autorizado a continuidade das investigações resultou na descoberta de um esquema muito mais sofisticado.

— Hoje, percebemos que na operação subsequente [Monte Carlo] identificamos algo muito maior.

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