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Partidos políticos assediam artistas para multiplicar votos e eleger candidatos parceiros

Um dos maiores puxadores de votos da história nas urnas, Tiririca decidiu permanecer na política  

Brasil|Kamilla Dourado, do R7, em Brasília

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Filiado ao PP, Belo deve se candidatar a deputado estadual
Filiado ao PP, Belo deve se candidatar a deputado estadual

Recentemente, pelo menos dez celebridades já se filiaram a partidos políticos e pretendem a concorrer a algum cargo público nas Eleições 2014. Entre os candidatos, há atores, cantores e atletas. A estratégia dos partidos políticos, ao convencer artistas e famosos a entrar na vida pública e disputar votos, tem um objetivo claro: dar visibilidade às siglas e ampliar o número de representantes delas no poder.

Os “queridinhos dos partidos” devem se lançar a cargos que vão desde Câmaras estaduais a governos de Estado, como é o que se especula no caso do treinador de vôlei Bernardinho (PSDB) e o ator Marcos Palmeira (PSB), que devem disputar o governo do Rio de Janeiro em 2014. Recentemente, Bernardinho desmentiu a história.


Entre os atletas, ainda figuram na lista o ex-jogador de vôlei Giba (PSDB-SP), o ex-jogador Marcelinho Carioca (PT-SP) e o nadador Fernando Scherer (PSB-SP). Os cantores José Rico (PMDB-GO), Belo (PP-RJ) e Sula Miranda (PRB-SP) devem disputar cargos ao lado de outras celebridades, como o cirurgião plástico Dr. Rey (PSC-SP), a socialite Narcisa Tamborindeguy (PSDB-RJ), os ex-BBB Kléber Bambam (PRB-SP) e Laisa (PP-RS), o estilista Ronaldo Ésper (PRB-SP) e o diretor Raul Jr (PR-RJ).

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Para o cientista político da UnB (Universidade de Brasília) Antônio Flávio Testa, além de bons puxadores de votos, as celebridades são uma vitrine para o partido.

— Esse fenômeno surgiu quando foram proibidos os grandes showmícios. Naquela época, eles [partidos políticos] contratavam os artistas para fazer grandes shows. A partir daí, ficou evidente que precisavam de pessoas que tinham visibilidade e passaram a buscar esses personagens para compor a chapa.


O professor do curso de especialização em Marketing Político da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Rodrigo Mendes Ribeiro aponta outra funcionalidade para os artistas, segundo ele, um dos papéis dos famosos é tornar o partido menos político aos olhos do eleitor.

— É uma estratégia de personificação da política e de despolitização, porque você pega esses artistas, usa esse personagem, promove o personagem que vai beneficiar o partido, mas o partido ai é figura secundária. Ele [o partido] está usando essa pessoa [artista] para ganhar voto, mas ele, nesse sentido fica totalmente em segundo plano. Para o eleitor, não interessa de que partido é o artista, já para o partido, o importante é que ele atraia voto.


Voto proporcional 

Um dos objetivos claros dos partidos é repetir o fenômeno Tiririca, que nas eleições de 2010 levou 1,35 milhão de votos e levou na aba três candidatos à deputado para a Câmara Federal: Otoniel Lima (PRB), Vanderlei Siraque (PT) e Protógenes Queiroz (PC do B).

Em recente propaganda partidária na TV, Tiririca deixou claro que vai continuar na política, mesmo depois de dar indicações de que deixaria a vida pública. No fim da propaganda do Partido da República, estrelada pelo presidente da legenda Alfredo Nascimento (SP) e outros parlamentares do partido, a tela fica preta, parecendo que a gravação vai terminar. Tiririca surge, então, de repente e — aos berros — anuncia o "fico".

— Parô, parô, parô! Quase eu não alcanço vocês. Abestado! Vocês pensaram que eu não ia falar, era? O Tiririca quer falar. Eu preciso falar. Parô, parô, parô! Abestado!Eu preciso falar. Eu quero falar com a boca mesmo. Eu quero dizer para vocês que eu continuo na política. Vocês têm que me aguentar, galera tem que me aguentar. Porque, sem o Tiririca, Brasília mica.

O puxador de votos é uma cortesia do sistema representativo proporcional, adotado no Brasil. Quando o eleitor vota em um candidato, ele está sujeito a eleger alguém em quem nunca votaria, por exemplo.

Quem determina isso é coeficiente eleitoral — o número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras. Divide-se o número de votos de cada partido por esse coeficiente e, assim, é determinado o número de cadeiras de cada sigla. Para mudar isso, só uma reforma eleitoral, que, para o cientista político Antônio Testa, se acontecer, não deve contemplar esse item.

— Nas eleições é importante para os partidos, já para a política, depende, temos casos como o Tiririca que não fez nada e tem o Romário que contribuiu. Eu não acredito que isso [eleição de artistas] vá acabar, é interessante para os partidos. A maioria do eleitorado é semi-culta, é semi-alfabetizada e é muito sarcástica também.

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