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Perdoar a dívida irá melhorar relações com o Brasil, diz cônsul da Costa do Marfim

Diplomata defende também alternativas, como o investimento e financiamento no País

Brasil|Alexandre Saconi, do R7

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Tibe Bi Gole Blaise, cônsul da Costa do Marfim, defende investimentos no país como medida efetiva de melhora econômica
Tibe Bi Gole Blaise, cônsul da Costa do Marfim, defende investimentos no país como medida efetiva de melhora econômica wallace rodrigues

A Costa do Marfim foi um dos 12 países africanos beneficiados com o perdão de parte da dívida que tinham com o Brasil, anunciado durante visita da presidente da República, Dilma Rousseff, ao continente em maio. Ao todo, o perdão chegou a quase R$ 2 bilhões (US$ 900 milhões).

O valor devido ao Brasil pela Costa do Marfim é muito pequeno: em relação ao total, de US$ 9 milhões (R$ 19,2 milhões), o governo brasileiro abriu mão de US$ 7,8 milhões (R$ 16,6 milhões) e o restante foi dividido em quatro parcelas. Essa manobra, porém, ainda depende da aprovação do Senado Federal.


Tibe Bi Gole Blaise, cônsul da Costa do Marfim, defendeu a importância para seu país deste perdão e o reescalonamento da dívida. Para ele, este processo de perdão e reescalonamento, independentemente do valor, dará maior ânimo para as relações bilaterais entre ambos os países. Quando um país é tido como devedor, as empresas dificilmente se sentem a vontade para investir nele.

O diplomata também aproveitou para agradecer a iniciativa do governo brasileiro, que historicamente vem perdoando a dívida de países africanos, desde a época do regime militar. Em 2000, por exemplo, o governo de Fernando Henrique Cardoso perdoou e reescalonou uma parte da dívida do país africano. Nenhuma das parcelas chegou a ser paga, gerando o acúmulo que chegou aos US$ 9 milhões (R$ 19,2 milhões) atuais. Sobre a possibilidade de não ser realizado o pagamento novamente, Tibe Bi foi tranquilizador.


— Os tempos eram outros. O que se deve, tem de pagar.

O diplomata, um engenheiro agrônomo de formação, explicou que outras medidas econômicas bilaterais também poderiam ter um resultado satisfatório. Ele cita exemplos de financiamento que poderiam viabilizar o desenvolvimento local da Costa do Marfim e ajudar a desenvolver a economia brasileira ao mesmo tempo.


— Digamos que a Costa do Marfim deve US$ 5 milhões (R$ 10,6 milhões). Com esse valor, dá para fazer um projeto agrícola com trator, semente etc. E também na área da saúde, educação... É um projeto onde o Brasil entra com as máquinas, com a semente, o adubo, o programa. Tudo isso se faz com um técnico brasileiro. [Dá ainda para] implantar um plano social. E nós produzimos. 

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O cônsul reforça que esse dinheiro é de direito do Brasil e que o financiamento de projetos na Costa do Marfim, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por exemplo, voltaria aos cofres públicos de maneira rápida e segura.

Sobre o possível interesse eleitoreiro deste perdão por parte da presidente Dilma Rousseff, uma vez que diversas empresas brasileiras têm se instalado no continente, Blaise despistou. Entretanto, o cônsul citou uma expressão africana para justificar seu ponto de vista.

— O cadarço vem com o sapato. Ambos vêm juntos. O financiamento pode ser o cadarço, mas o importante para nós é o sapato. Isto não interfere em nada na relação diplomática entre os países. Uma emissora de TV não faz um programa para perder público. Ela faz para ganhar audiência. Se o que ela está fazendo para a África, for para ter benefício eleitoral, não sei.

O diplomata aproveitou para fazer uma convocação aos investidores brasileiros.

— Os empresários têm de ir para a África sem medo. Ocupar o espaço. Se o Brasil não avançar, a China vai para lá.

Novo perdão

Não é a primeira vez que o governo brasileiro perdoa a dívida da Costa do Marfim. O país africano, que atualmente têm um PIB [Produto Interno Bruto, que é a soma de riquezas de um país] de US$ 24 bilhões (R$ 51,2 bilhões) e uma dívida de US$ 12 bilhões (R$ 25,6 bilhões), já teve milhões de dólares perdoados por Fernando Henrique Cardoso em 2000.

A dívida oficial do País com o Brasil existe deste 1979 e estava da casa de US$ 31 milhões (R$ 66,1 milhões), referentes à instalação de um centro de produção de sementes de soja. Em 2000, a dívida era de US$ 27 milhões (R$ 57,5 milhões), e o governo FHC perdoou US$ 22 milhões (R$ 46,9 milhões), ou seja, 80% do total.

O restante não chegou a ser pago, resultando no valor que está sendo perdoado e reescalonado atualmente pelo governo federal. Agora, a dívida da Costa do Marfim com o Brasil é de no valor de US$ 1,2 milhão (R$ 2,5 milhões).

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