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PF deflagra terceira fase da operação Carne Fraca

Operação Trapaça acontece em cinco Estados brasileiros e investiga esquema de fraudes em laboratórios

Brasil|Giuliana Saringer, R7, com Estadão Conteúdo

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Carne Fraca foi deflagrada em março de 2017
Carne Fraca foi deflagrada em março de 2017

A PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Trapaça na manhã desta segunda-feira (5). A operação é a terceira fase da Operação Carne Fracae investiga um esquema de fraudes em laboratórios perante o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 

A BRF, empresa do setor de carnes e processados, é um dos alvos da investigação. 

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Estão sendo cumpridos 91 mandados judiciais em cinco Estados brasileiros — Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo. Segundo a PF, são 11 mandados de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa/PR.

As fraudes tinham como finalidade burlar o Sif/Mapa (Serviço de Inspeção Federal) e, com isso, não permitir que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da empresa investigada.

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Segundo a PF, cinco laboratórios fraudavam os resultados de exames em amostras de seu processo industrial, "informando ao Serviço de Inspeção Federal dados fictícios em laudos e planilhas técnicos".

Além das fraudes nos resultados, as investigações também descobriram "manobras extrajudiciais" realizadas por executivos do grupo, para acobertar os atos ilícitos.

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Os investigados com prisão cautelar decretada serão levados para a sede da PF em Curitiba. O R7 procurou a BRF e aguarda um posicionamento oficial. 

Ministério da Agricultura

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A Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), vinculada ao Ministério da Agricultura divulgou uma nota sobre a Operação Trapaça.

A SDA explica na nota que tem uma equipe de auditoria especializada atuando com a Policia Federal, "que pode adicionar ferramentas de investigação para desvendar este processo de fraude que poderia comprometer o sucesso de programas higiênico-sanitários no Brasil".

Conforme a nota, as empresas investigadas burlavam a fiscalização preparando amostras, por meio dos laboratórios investigados, com o objetivo de esconder a condição sanitária dos lotes de animais e de produtos, evitando assim, uma medida corretiva restritiva do Serviço Oficial.

A SDA esclarece que o alvo principal desta operação é a fraude nos resultados de análises laboratoriais relacionados ao grupo de bactérias Salmonella spp. A presença da bactéria salmonela é comum, principalmente em carne de aves, pois faz parte da flora intestinal desses animais. No entanto, quando utilizados os procedimentos adequados de preparo e de consumo, minimizam os riscos no consumo da salmonela, uma vez que a bactéria é destruída em altas temperaturas, como frituras e cozimento.

"Dentre os mais de 2 mil sorovares, existem dois de preocupação para a saúde animal e dois de saúde pública, que devem desencadear medidas específicas dentro das granjas avícolas e nos produtos sabidamente positivos para salmonela, visando a melhoria do manejo, a redução de riscos do campo à mesa do consumidor final", diz a SDA.

O órgão do Ministério da Agricultura acrescenta "que o processo de fiscalização do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal já havia identificado irregularidades nos procedimentos para respaldo à certificação sanitária implementada em algumas unidades frigoríficas, o que resultou em exclusão destes estabelecimentos para exportação aos 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella SPP".

Os procedimentos adotados pela SDA a partir desta ação conjunta com a Polícia Federal são:

— Suspensão do credenciamento dos laboratórios alvo da operação, até finalização dos procedimentos de investigação, que poderão resultar no cancelamento definitivo do credenciamento;

— Suspensão dos estabelecimentos envolvidos para exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella SPP.

— Implementação de medidas complementares de fiscalização, com aumento de frequência de amostragem para as empresas envolvidas, até o final do processo de investigação.

Demais providências:

—- Implementação pela SDA de novos modelos de controle de laboratórios credenciados visando a redução de fraudes;

— Aprimoramento de ferramentas de combate a fraudes em alimentos como também continuidade de ações já desempenhadas pelo Serviço de Inspeção Federal, possibilitando redução de não conformidades a curto e médio prazo.

Operação Carne Fraca

A operação Carne Fraca foi deflagrada pela PF em março de 2017 para investigar empresas do setor frigorífico. Segundo as investigações, companhias alteravam a carne que vendiam tanto no mercado nacional como internacional. O escândalo envolveu 21 frigoríficos. 

Em maio de 2017 a PF realizou a segunda fase da Carne Fraca, que teve como alvo o ex-superintendente do Ministério de Agricultura no Estado de Goiás Francisco Carlos de Assis. Segundo as investigações, Assis foi flagrado flagrado em interceptações telefônicas destruindo provas importantes no âmbito da operação. 

A segunda fase da Carne Fraca foi batizada de operação Antídoto, em referência a uma ação policial colocada em prática com o objetivo de fazer cessar a ação criminosa do investigado e preservar eventuais novas provas.

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