Logo R7.com
Logo do PlayPlus
Publicidade

PF diz que deputado Luiz Argôlo ajudou doleiro a conseguir reunião com a Petrobras

Parlamentar teria feito aproximação entre Alberto Youssef e diretor de abastecimento da estatal

Brasil|

Argôlo pediu até conselhos políticos para o doleiro Alberto Youssef
Argôlo pediu até conselhos políticos para o doleiro Alberto Youssef Argôlo pediu até conselhos políticos para o doleiro Alberto Youssef

A Polícia Federal suspeita que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) "agendou uma reunião" entre o doleiro Alberto Youssef e o diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza.

Durante a Operação Lava-Jato, investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões, a PF interceptou no dia 18 de setembro de 2013 troca de mensagens pelo aparelho BlackBerry entre Argôlo e o doleiro tratando de um encontro com o diretor da estatal.

Consenza sucedeu ao engenheiro Paulo Roberto Costa, em 2012. Costa foi preso pela Lava-Jato no dia 20 de março de 2014. Ele e Youssef são apontados como os líderes de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Petrobras para desvio de recursos e corrupção.

A PF investiga outros funcionários da estatal. A longa sequência de contatos entre Argôlo e o doleiro faz parte de Relatório de Monitoramento Telemático enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), instância que tem competência para investigar parlamentares.

Publicidade

Leia mais notícias de Brasil e Política

Entre 14 de setembro de 2013 e 17 de março de 2014 o deputado e o doleiro trocaram 1.411 mensagens. Youssef trata o deputado por "LA" e este o chama de "Primo".

Publicidade

Eles citam Cosenza. Às 11h36 do dia 18 de setembro Youssef diz que "já liga" para Argôlo porque "está terminando uma reunião na prefeitura de Cubatão (SP)". O deputado comenta que está com o substituto de "PR" — para os investigadores uma "provável referência à pessoa que substituiu Paulo Roberto Costa na Petrobras, José Carlos Cosenza".

O deputado pergunta ao doleiro se ele "tem algum assunto" para tratar com o diretor da Petrobras. Youssef responde que eles têm "vários assuntos lá".

Publicidade

— Possivelmente referindo-se à Petrobras e às diversas operações de desvio de recursos que envolveriam as suas empresas de fachada utilizadas para distribuir o dinheiro ilegal.

A PF não imputa atos ilícitos a Cosenza, mas seu nome consta do relatório.

— Em seguida, aproveitando-se da proximidade de ‘LA’ possivelmente com o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, solicita que ‘LA’ passe a seguinte mensagem: ‘'Diga a ele que você precisa fazer uma visita a ele para que te ajude com um amigo’'.

A PF afirma que "existem indícios de que ‘LA’ agendou uma reunião entre Youssef e José Carlos Cosenza, possivelmente para tratar de algum assunto relacionado às operações de Youssef junto à empresa.

O relatório mostra Argôlo pressionando o doleiro para arrumar dinheiro, segundo a PF. Revela contatos com empreiteiras. O diretor financeiro de uma delas, sediada em Salvador, teria repassado R$ 420 mil para a organização.

Conselhos

Youssef também dava conselhos políticos a Argôlo. No dia 9 de outubro, o deputado perguntou ao doleiro se deveria aceitar a vice-liderança do Solidariedade ou se aceitava participação na Comissão de Orçamento da Câmara.

— Pega a vice-liderança, você vai estar o tempo todo com o governo. A Comissão de Orçamento é também muito boa, mas deve ser escolhida em outro momento, pois agora o importante é estar perto do governo.

Argôlo não foi localizado ontem. A Petrobras, em nota, declarou.

— O diretor José Carlos Cosenza não conhece Alberto Youssef. Ele não manteve contato com o deputado Luiz Argôlo.

Últimas

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.