PGR pediu prisões para entender esquema de atos antidemocráticos

Há seis mandados de prisão contra membros do grupo 300 do Brasil. Sara Winter foi presa nesta manhã em Brasília

Sara Winter foi presa nesta segunda (15)

Sara Winter foi presa nesta segunda (15)

Wallace Martins/Futura Press/Folhapress - 30.05.2020

A PGR (Procuradoria-Geral da República) explicou prisões temporárias feitas pela PF (Polícia Federal) nesta segunda-feira (15) têm como objetivo "ouvir os investigados e reunir informações de como funciona o esquema criminoso" no âmbito do inquérito que investiga atos antidemocráticos no país.

O inquérito foi aberto em abril deste ano a pedido da PGR e, a pedido da Procuradoria, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre Moraes assinou seis mandados de prisão, de cinco dias, contra líderes do acampamento 300 do Brasil, sendo um deles para a prisão da ativista Sara Winter

Os pedidos de prisão foram apresentados na sexta-feira (12) "a partir de indícios obtidos pelo MPF de que o grupo continua organizando e captando recursos financeiros para ações que se enquadram na Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/1983), objeto do Inquérito 4.828".

Abertura do inquérito

Segundo o MPF, "o pedido de abertura do inquérito dos atos antidemocráticos foi feito em 20 de abril pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, para investigar fatos criminosos envolvendo a "organização de manifestações contra o regime da democracia participativa brasileira, por vários cidadãos, inclusive deputados federais, o que justificou a competência do STF".

Quem é Sara Winter, a ex-feminista e atual militante radical bolsonarista presa pela PF a mando do STF

Aras disse que “o Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional”.

Manifestações contra o STF

Na madrugada de 31 de maio, cerca de 30 pessoas se reuniram em frente ao STF para protestar contra o ministro da Corte Alexandre de Moraes, coordenados por Winter.

Os manifestantes, que usavam máscaras e tochas, macharam até o prédio do STF, onde pararam e ouviram uma música em tom fúnebre. O protesto, que lembrou os atos da Ku Klux Klan, foi pacífico.

No sábado (13), o grupo 300 do Brasil invadiu a cúpula do Congresso Nacional no sábado onde ficaram por 30 minutos. Depois, ocupou o gramado em frente ao espelho d'água do Congresso.

Os manifestantes pró-Bolsonaro protestaram contra os demais poderes em Brasília. Eles cobram que o presidente intervenha em defesa do grupo, alvo de investigações do Ministério Público por suspeita de porte de arma.

Ainda no sábado, um grupo de manifestantes retirados de um acampamento montado na Esplanada dos Ministérios causou tumulto e aglomeração enquanto efetuavam disparos de fogos de artifício em direção ao prédio do STF.