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Plano de negócios da Petrobras deve atrasar até julho, dizem fontes

Brasil|Do R7

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Por Jeb Blount e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras deve atrasar os detalhes dos grandes cortes de investimentos previstos para o seu Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 até julho, disseram duas fontes à Reuters, quando o governo planeja anunciar um programa de resgate para a indústria.

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A Petrobras, em meio a um escândalo de corrupção e lutando contra a queda dos preços do petróleo, a produção estagnada e a maior dívida mundial acumulada por uma petroleira, havia planejado anunciar uma profunda redução de investimentos, de cerca de 30 por cento, até o fim de junho.

No entanto, executivos da companhia depararam-se com resistência interna e política aos cortes, dado o importante papel que a empresa desempenha na economia brasileira, afirmou à Reuters um executivo sênior da Petrobras com conhecimento direto das discussões da empresa.

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O anúncio será adiado pelo menos até julho, para coincidir com um programa de resgate do governo para o setor, afirmou uma segunda fonte, um membro sênior da base governista da presidente Dilma Rousseff.

O governo está começando a lidar com as fragilidades econômicas da Petrobras e com a maneira como seus esforços para aumentar o controle sobre os recursos naturais do país poderiam enfraquecê-la ainda mais, afirmou o membro sênior da base governista à Reuters.

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Ambas as fontes pediram anonimato porque detalhes finais dos planos do governo e da Petrobras ainda têm de ser decididos. Ambas têm contato regular com a presidente Rousseff e outros altos funcionários do governo e da estatal.

"O plano será adiado até julho para coincidir com um programa de governo para toda a indústria", disse o membro sênior da base governista. "A indústria depende da Petrobras e o governo quer uma resposta coordenada, mas eles também sabem que não podem esperar muito tempo."

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GRANDES GASTOS

Nos últimos anos, os investimentos anuais da Petrobras de mais de 40 bilhões de dólares em navios, plataformas, sistemas de petróleo e refinarias têm sido quase o dobro dos próprios gastos discricionários do governo brasileiro em infraestrutura. Agora, com a Petrobras cortando custos, o governo, confrontado com a inflação e uma economia estagnada, também está cortando o seu próprio orçamento.

Enquanto isso, um esquema de corrupção, que envolveu desvios de dinheiro de contratos da Petrobras para empreiteiras, políticos e executivos de grandes companhias, obrigou a Petrobras a suspender o pagamento de grandes fornecedores, levando a pedidos de falência por grandes empreiteiras e demissões generalizadas.

O plano de petróleo do governo para julho deve ser semelhante a um programa anunciado no início deste mês para reforçar investimentos em portos, rodovias e outras obras de infraestrutura com capital privado, afirmou uma das fontes.

Tornar a indústria de petróleo no Brasil mais atraente para investimentos não-governamentais brasileiros e estrangeiros exigirá mais do que grandes declarações políticas, afirmou a autoridade sênior da base governista.

Isso vai exigir mudanças na lei do petróleo de 2010 do Brasil, disse a fonte, principalmente a derrubada da exigência de que a Petrobras seja a operadora única do pré-sal com pelo menos 30 por cento de participação nos ativos.

Acabar com a exigência, o que abriria o caminho para gigantes internacionais, como Shell e Exxon, foi endossado pelo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, pela diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, e pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Todos disseram que a Petrobras pode não ter fôlego para ser responsável por todo o desenvolvimento.

Apesar do crescente apoio do Senado, é improvável que tal mudança seja feita até julho, afirmou a fonte, acrescentando que ela poderia ganhar o apoio de Dilma. A opinião é endossada por uma terceira fonte, um burocrata sênior do governo envolvido no dia-a-dia das conversas sobre o planejamento do setor de petróleo.

"Estamos no início", disse a autoridade da base governista. "Alguns querem mudar, mas não todos. Poucos no Congresso têm pensado sobre isso. Depois, há a presidente."

Funcionários da indústria petrolífera, incluindo alguns da Petrobras, também querem mudanças na atual política de conteúdo local, responsabilizada ​​pelo aumento dos custos e atrasos em projetos, frisou. Dilma disse que não vai mudá-los.

(Reportagem adicional de Marta Nogueira)

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