PMDB mantém apoio a Dilma apesar da impopularidade, por enquanto
Brasil|Do R7
Por Anthony Boadle
BRASÍLIA (Reuters) - O PMDB, maior partido da coalizão que apoia a presidente Dilma
Rousseff, manterá seu status de aliado apesar da profunda
impopularidade da presidente e do rompimento do presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas isso pode mudar se a já
esperada recessão econômica gerar distúrbios sociais, disseram
lideranças da legenda.
Dilma luta para salvar seu mandato em meio à maior
desaceleração econômica em 25 anos e de uma crise política
deflagrada pelo bilionário esquema de corrupção na Petrobras
, investigado pela operação Lava Jato.
Cunha anunciou seu rompimento pessoal com o governo Dilma e
disse que defenderá que o PMDB o acompanhe nessa decisão, mas
outras lideranças do partido não estão prontas para fazer isso.
Em vez disso, pretendem manter o apoio a Dilma até 2018,
quando o partido planeja lançar candidato próprio à Presidência.
“O PMDB não vai romper com o governo agora. Não seria correto tomar essa atitude, porque vamos ter um problema mais sério da economia no segundo semestre...O PMDB pensa ter uma candidatura própria e se afastar deste governo, mas lá na frente, lá para 2017”, disse à Reuters o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE).
Com apenas pouco mais de seis meses em seu segundo mandato,
Dilma está em situação difícil. Pesquisas apontam que dois em
cada três brasileiros querem seu impeachment por mau
gerenciamento da economia e por supostamente ter usado dinheiro
de propina em suas campanhas de 2010 e 2014. Sua taxa de
aprovação caiu para 7,7 por cento em pesquisa divulgada na
semana passada.
O próprio partido da presidente, o PT, tem criticado as
medidas de austeridade adotadas pelo governo para eliminar o
déficit fiscal que ameaça fazer o Brasil perder o grau de
investimento dado pelas agências de classificação de risco.
Até mesmo seu mentor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, se afastou de Dilma.
O isolamento da presidente e um Congresso rebelde
prejudicaram as medidas de ajuste fiscal do governo. Aliado a
queda nas receitas, isso obrigou a equipe econômica a reduzir a
meta fiscal de 2015 até 2017, aumentando os riscos de um
rebaixamento da nota brasileira.
Embora Cunha possa tentar obstruir a agenda do governo, a
manutenção do apoio do PMDB dá a Dilma a chance de aprovar no
Congresso medidas de cortes de gastos e aumento da arrecadação.
Cunha, a quem cabe como presidente da Câmara dar ou não
seguimento a um eventual pedido de impeachment, disse em evento
em São Paulo nesta segunda acreditar que hoje a maioria do PMDB
seja contra a manutenção da aliança com o PT.
Ele disse, entretanto, que "não está no nosso horizonte que
o país se incendeie por causa de um posicionamento pessoal", e
alertou que o debate sobre o impeachment tem prejudicado e
seguirá prejudicando a confiança no país. O presidente da Câmara
afirmou também que analisará todos os pedidos de impeachment de
forma "técnica" e de acordo com o regimento interno da Casa.
PRESSÃO POPULAR
Até agora nem o PMDB nem mesmo o principal partido de
oposição, o PSDB, estão formalmente buscando o impeachment de
Dilma, preferindo deixar que o PT leve a culpa pela situação
econômica do país, elevando assim suas chances na eleição de
2018.
Mas isso pode mudar.
A expectativa é que a economia se contraia 1,7 por cento
neste ano, o desemprego está aumentando e a inflação está
insistentemente alta. Assim, qualquer elevação na insatisfação
popular pode fazer os aliados de Dilma mudarem de ideia.
“Se o povo vai para a rua e faz exigência contundente e persistente de mudança, aí não tem como segurar a base política desse governo, que já está muito fragilizada”, disse o deputado peemedebista Danilo Forte (CE), um crítico da aliança do PMDB com o PT.
Um termômetro do sentimento contrário ao governo virá no dia
16 de agosto, quando protestos contra a presidente foram
convocados em todo o país.
Forte disse que as coisas estariam bem piores para Dilma não
fosse o vice-presidente Michel Temer, que também preside o PMDB
e é o articulador político do governo. “Hoje quem dá um suspiro e condições para que o governo consiga uma credibilidade junto ao Parlamento é exatamente o PMDB”, disse.
Um assessor de Temer disse que o vice acelerou as indicações
políticas para cargos de segundo escalão no governo para manter felizes os aliados de Dilma, incluindo para diretorias de estatais e agências reguladoras.
Ele também liberou 800 milhões de reais na semana passada em
emendas parlamentares, e outros 5 bilhões de reais devem estar
disponíveis até o final do ano.















