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Presidente do TJ-BA ameaça processar União

Em nota, Associação de Magistrados Brasileiros se solidarizou à magistratura baiana

Brasil|Do R7

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Um dia depois de o corregedor nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, abrir sindicâncias no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para investigar suspeitas de irregularidades no TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia), o presidente da corte baiana, desembargador Mário Alberto Simões Hirs, negou na última quarta-feira (17) a existência de qualquer irregularidade. Ele ainda ameaçou instaurar ações contra a União pela divulgação das suspeitas.

— O que foi divulgado (pelo CNJ) ainda é o relatório preliminar, vamos aguardar o relatório final, mas se me sentir ofendido, vou ao Supremo Tribunal Federal, entro com uma ação contra a União. Pode ser até uma ação coletiva do tribunal contra a União. Estamos estudando.

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Em nota, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) manifestou "solidariedade à magistratura baiana" e condenou o que chamou de "divulgação midiática" do relatório apresentado pela Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) que levanta uma série de suspeitas sobre a atuação do TJ-BA.

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Ao lado da ex-presidente do TJ-BA, Telma Laura Silva Britto — que também foi citada no relatório —, e acompanhado por outros desembargadores do órgão, Hirs recebeu jornalistas na sede do tribunal e apresentou documentos.

— Essa documentação foi enviada quatro vezes ao CNJ, mas não foi considerada. Todas as informações solicitadas pelo CNJ foram devidamente respondidas e em nenhum momento tivemos resposta do CNJ sobre os esclarecimentos.

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O presidente do TJ baiano também disse ter achado "estranho" que o relatório preliminar tenha sido divulgado à imprensa antes de ser encaminhado ao órgão.

— Até as 12 horas de hoje, não havíamos recebido o relatório. Só tomamos conhecimento dele e de seu teor por um colunista de São Paulo, que fez contato para repercutir as informações.

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Entre as ações apontadas como suspeitas pelo CNJ estão erros em cálculos de precatórios judiciais, que teriam causado prejuízos de mais de R$ 448 milhões ao Estado e ao município de Salvador, um contrato sem licitação entre o TJ-BA e o Banco do Brasil para a administração de depósitos judiciais, problemas no processo de privatização de cartórios, casos de nepotismo, atrasos nas declarações de bens e rendas de cerca de mil servidores e um esquema de revezamento de funcionários, que trabalhariam um ou dois dias no órgão, sob a justificativa de trabalhar em casa nos outros dias.

Precatórios

Hirs chamou de "ofensiva" a suspeita levantada pelos pagamentos de precatórios.

— Foi o que mais me chateou. A acusação foi ofensiva, quase leviana, porque passa a mensagem subliminar que eu ou a desembargadora Telma Britto temos interesse nesse processo, do qual nós nem sequer participamos. E dizer que pagamos esse valor, quase meio bilhão de reais a mais, é uma falácia.

De acordo com o magistrado, os cinco precatórios listados pelo CNJ, cujo montante somado seria de R$ 448,1 milhões, não foram pagos por estarem "em posições cronológicas remotas (com previsão de pagamentos em longo prazo)". Hirs, porém, admitiu que as dívidas existem e que estão com as ações "transitadas em julgado", sem direito a recurso.

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