Presidente interino diz que não tem medo de ser impopular
Michel Temer disse ter "legitimidade constitucional" e que apoio virá com sucesso de gestão
Brasil|Do R7

O presidente em exercício Michel Temer afirmou ao programa Fantástico que não disputará a reeleição caso assuma definitivamente o Planalto ao fim do processo de impeachment de Dilma Rousseff, que será analisado pelo Senado no prazo de 180 dias. "Eu estou negando a possibilidade de uma eventual reeleição, até porque isso me dá maior tranquilidade. Eu não preciso praticar gestos ou atos conducentes a uma eventual reeleição, posso ser até, digamos assim, impopular, mas desde que isso produza benefícios para o País. Isso para mim seria suficiente". A entrevista foi marcada por panelaços em algumas cidades.
O presidente em exercício disse ter "legitimidade constitucional", mas reconheceu que o apoio popular só virá com eventual sucesso da gestão.
— Fui eleito com a senhora presidente. Os votos que ela recebeu eu também os recebi. Especialmente porque, quando nós fizemos a aliança, evidentemente que o PMDB trouxe muitos votos à nossa chapa. Mas eu reconheço que não tenho essa inserção popular e que só ganharei, só terei, se, legítimo como é o nosso governo, ainda que interinamente, eu produzir efeito benéfico para o País.
Questionado sobre a ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a impugnação dele e da presidente afastada Dilma Rousseff, Temer defendeu a análise separada das contas.
Sobre as declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que pode rever regras da Previdência, foi cauteloso. "Nós não examinamos esse assunto ainda", disse, ressaltando o déficit na aposentadoria.
— Daqui a alguns anos quem sofrerá as consequências serão os aposentados.
Segundo Temer, uma das prioridades "é a atenção com os mais carentes". Ele disse que eventual ajuste vai preservar a área social. "Se for necessário, cortarei de outros setores", afirmou ao enfatizar que deve manter programas sociais do PT.
Ministério
O presidente em exercício rebateu as críticas de que formou um Ministério "machista". "Eu contesto a afirmação de que não há nenhuma mulher", disse, ao citar que a chefia de gabinete da Presidência é ocupada por uma mulher. Afirmou que, na Cultura, quer uma "representante do mundo feminino", assim como na Cidadania e Ciência e Tecnologia — cargos de segundo escalão que perderam status de ministro.
Segundo ele, a ausência de "notáveis" na Esplanada ocorreu porque ele teve "de fazer uma composição de natureza política". Ele prometeu demitir ministros que cometerem irregularidades.
— Se um ou outro não proceder adequadamente, estará fora da equipe. Se houver irregularidades, eu demito o ministro.
Sobre citações ao nome dele na Lava Jato, negou ter "patrocinado" a indicação de diretores da Petrobras. Ele lembrou que a Procuradoria-Geral da República não viu motivos para investigá-lo. Sobre o ministro Romero Jucá (Planejamento), alvo da Lava Jato, Temer elogiou o colega e lembrou que ele não é réu. Se ele se tornar réu, disse que vai "examinar o caso".
Temer afirmou que, se for efetivado no cargo, a mulher dele, Marcela, assumirá uma função no governo e coordenará a área social.
— Ela tem muita preocupação com as questões sociais.















