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Produção de veículos sobe no Brasil no 1º tri, mas emprego cai

Brasil|Do R7

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SÃO PAULO (Reuters) - A produção de veículos do Brasil saltou 24 por cento no primeiro trimestre, impulsionada por exportações recordes e renovação de frotas de empresas como locadoras de veículos, mas o nível de emprego foi na contramão e recuou quase 9 por cento ao fim de março sobre um ano antes, informou nesta quinta-feira a associação que representa o setor, Anfavea.

As montadoras instaladas no país produziram 609,8 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus de janeiro a março e exportaram 172,7 mil veículos no período, uma alta de quase 70 por cento sobre o primeiro trimestre de 2016.

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Enquanto isso, o setor fechou quase 10 mil postos de trabalho, encerrando março com 103,6 mil funcionários.

A diferença de comportamento entre salto de produção e queda no emprego foi atribuída pelo presidente da Anfavea, Antonio Megale, a ganhos de produtividade, diante do nível de ociosidade registrado pelo setor de mais de 50 por cento na indústria como um todo e de mais de 75 por cento apenas no segmento de caminhões.

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"As empresas precisam ter claro como vai estar o mercado nos próximos meses antes de abrirem novos turnos de produção. Ainda precisamos de alguns meses de crescimento forte para sabermos se vamos reverter a questão dos postos de trabalho", disse Megale a jornalistas.

Segundo os dados da Anfavea, o resultado do trimestre foi impulsionado pelo desempenho de março, que teve alta de 18 por cento na produção sobre um ano antes e avanço de 5,5 por cento nas vendas na mesma comparação.

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Boa parte da produção do mês passado, disse Megale, foi destinada para exportações, cujos destinos de destaque foram os mercados da Argentina, Uruguai, Colômbia e Peru. O movimento deve se manter nos próximos meses, diante da proximidade de assinatura de novos acordos de comércio, inclusive com a Colômbia, e da pujança do mercado argentino, que este ano deve registrar vendas recordes de entre 850 mil e 900 mil veículos, segundo estimativas da Anfavea.

Do total produzido em março, 235 mil veículos, 68,5 mil foram exportados, maior nível mensal desde pelo menos 2014.

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Já o mercado interno segue permeado pelas turbulências políticas que minam a confiança dos investidores, retardando o retorno do crescimento do emprego e das vendas de veículos, disse Megale.

O presidente da Anfavea afirmou, porém, que as vendas de veículos no Brasil estão "no caminho da estabilização", depois de terem encerrado o primeiro trimestre em queda de 1,9 por cento sobre o mesmo período do ano passado, a 472 mil unidades.

"Ainda precisamos ter cautela, março foi um mês longo, com 23 dias úteis (...) ainda é cedo para dizer que a tempestade passou, mas podemos dizer que a intensidade da chuva diminuiu um pouco", afirmou Megale, acrescentando que é provável que as vendas de abril não sejam tão robustas quanto março por causa também de dois feriados no calendário do mês.

Por enquanto, a Anfavea mantém a previsão de alta de 11,9 por cento na produção deste ano, para 2,41 milhões de veículos, e de alta de 4 por cento nas vendas no mercado interno, para 2,13 milhões.

No entanto, se o ritmo de exportações se mantiver positivo, Megale afirmou que é provável que a Anfavea reveja em meados do ano a projeção de vendas externas de 558 mil veículos em 2017, alta de 7,2 por cento. Se isso ocorrer, a entidade também deve fazer ajustes na perspectiva da produção, disse o presidente da entidade.

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(Por Alberto Alerigi Jr.)

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