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Propinas na Petrobras eram pagas em 'parcelas fixas e mensais', afirma dono da UTC

Ricardo Pessoa diz que metade dos valores iam para a mão dos PT pelo intermédio de Vaccari

Brasil|Do R7

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Pessoa detalhou que o PP também recebia propinas referente aos contratos feitos pela Diretoria de Abastecimento da estatal
Pessoa detalhou que o PP também recebia propinas referente aos contratos feitos pela Diretoria de Abastecimento da estatal

O dono da empreiteira UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, afirmou nesta segunda-feira (10), ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, que os pagamentos de propinas no esquema de corrupção na Petrobras eram "automático" e os valores repassados "em parcelas fixas e mensais" aos executivos da estatal e aos partidos, em especial ao PT e PP.

Pessoa, que foi ouvido como testemunha de acusação em processo que apura corrupção de R$ 20 milhões nas obras do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), no Rio, explicou ao procurador da República Julio Noronha qual era o momento da cobrança dos valores de corrupção.


— As primeiras vezes [os pagamentos de propina] eram durante a concorrência. Depois passou a ser uma coisa mais automática e mais..., não posso chamar de corriqueira, porque isso não é corriqueiro, mas era uma coisa que vinha uma atrás da outra. [...] Não havia esse momento, era sempre depois do contrato, porque que tinha que saber qual era o valor, qual era o fluxo de caixa do contrato, geralmente se pagava essas propinas não logo no primeiro ou no segundo mês, no meu caso eu sempre fazia a partir do quarto, quinto mês até três meses antes de acabar e transformava isso em parcelas fixas e mensais.

Delator da Lava Jato, Pessoa foi ouvido como testemunha de acusação no processo que tem, além do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque — braço do PT no esquema de arrecadação de propinas —, o presidente afastado da OAS José Aldemário Pinheiro e o ex-tesoureiro do partido Paulo Ferreira.


— Metade [da propina] ia para a mão dos Partido dos Trabalhadores através do senhor João Vaccari.

A outra parte ia para o que se chamava "Casa", que era a corrupção dos agentes públicos sustentados nos cargos pelos partidos envolvidos.


Além do PT, Pessoa detalhou, mais uma vez, que o PP também recebia propinas referente aos contratos feitos pela Diretoria de Abastecimento da Patrobras. O valor fixo era de 1% do valor dos contratos — e em seus aditivos, em alguns casos.

Operador


Pessoa confirmou que o lobista Adir Assad foi um dos operadores que auxiliou nos repasses de valores de propinas nas obras da Petrobras. Assad está preso e é réu no processo das obras do Novo Cenpes. Ele citou ainda o doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato.

— Os pagamentos eram feitos com recursos de caixa-2 e através de empresas, diversas empresas, que transformava em recursos e serviços não prestados, que depois eram dado a Alberto Youssef que era uma espécie de banco da UTC para isso.

O empreiteiro confirmou que as empresas Rock Star e SM Terraplanagem, do lobista Adir Assad, eram usadas para fornecimento de dinheiro em espécie para entrega à Youssef. Era o doleiro que guardava os recursos de caixa-2 da UTC, revelou.

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