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Quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada

A 3ª reportagem da série sobre saneamento aborda a questão do tratamento de água, item prioritário que tem relação com o tratamento do esgoto

Brasil|Eugenio Goussinsky, do R7

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A água tratada recebe adição de flúor, o que reduz incidência de cáries em 65%
A água tratada recebe adição de flúor, o que reduz incidência de cáries em 65%

Para o homem, não há substância química mais importante do que a água. O ciclo vital no planeta depende dela, tanto em quantidade quanto em qualidade. É preciosa em sua utilidade, na manutenção da saúde, da higiene e da qualidade de vida.

A questão do tratamento de água, portanto, é um item prioritário dentro saneamento. Ela tem relação com o tratamento do esgoto, já que a captação da água em geral é realizada em rios ou represas, de águas superficiais ou poços perfurados, para atender a demanda da população e industrial. Se estiverem contaminadas, mais caro é o tratamento e maiores riscos têm a população.


Após retirada de rios ou poços, a água em geral vai para estações de tratamento
Após retirada de rios ou poços, a água em geral vai para estações de tratamento

Leia mais:Esgoto a céu aberto é tormento para mais da metade dos brasileiros

Todo o sistema está inter-relacionado, conforme explica a a engenheira ambiental Amanda Rodrigues Inácio, pesquisadora da Unicamp, mestre em Engenharia Civil - Saneamento e Ambiente e coordenadora do Sistema de Gestão Ambiental do Senac Campinas.


“É dos rios e córregos que coletamos água para tratá-la e torná-la potável (quando a cidade possui estação de tratamento de água). Além do esgoto não tratado que é lançado em rios, temos também situações onde resíduos sólidos são depositados em recursos hídricos. Isso acontece, geralmente, em cidades onde a Política Nacional de Resíduos Sólidos não está sendo atendida e não possuem um aterro sanitário.“

A poluição dos rios, portanto, torna mais lento o processo de levar a água de boa qualidade aos cidadãos.


“Quando não há tratamento de esgoto e coleta e destinação de resíduos sólidos, estamos poluindo a água que deveria ser limpa e ter qualidade para utilizarmos. Consequentemente, o tratamento da água desse rio será mais trabalhoso e custará mais também”, completa a professora.

Razões políticas

Segundo o SNIS de 2017, 83,5% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água. Isso significa que há outros 16,5%, totalizando quase 35 milhões de brasileiros que não são atendidos por este serviço básico.


No Brasil a regulamentação e monitoramento da potabilidade da água são feitos pelos governos federal, estadual e municipal. Também há legislações que determinam a vigilância sobre poluição ambiental na água e efluentes industriais, técnicas de reuso, entre outras. A água tratada tem recebido adição de flúor, o que reduz em 65% a incidência de cáries na população.

Brasil também está ameaçado pela crise hídrica, com diminuição de reservas
Brasil também está ameaçado pela crise hídrica, com diminuição de reservas

Segundo levantamento da ANA (Agência Nacional de Águas), responsável pela fiscalização e classificação, 71% das águas brasileiras são consideradas de boa qualidade.

A questão é que, nos centros urbanos, as águas, provenientes de rios com nascentes distantes, até mesmo na região amazônica (onde se concentra a maior parte destas águas), estão, em geral, em péssimas condições.

Exemplo disso é o rio Tietê, que é limpo em áreas próximas à nascente e depósito de esgoto na capital paulista. Condições técnicas para reverter essa situação já existem há algum tempo, segundo a professora Amanda.

“O fato de o tratamento de água ainda não ser acessível a todos é motivado por razões orçamentárias e políticas. Mas uma causa pode ser totalmente descartada: falta de conhecimento ou de opções de técnicas de tratamento.”

Neste sentido, técnicas eficientes são as mais custosas, segundo ela.

“Temos formas de tratar a água que são extremamente eficientes e que custam mais, como os sistemas por membranas de ultrafiltração, mas também temos técnicas que são aplicáveis a regiões ou países que possuem menos recursos financeiros e que apresentam resultados satisfatórios. É necessário que haja esforços políticos para que o tratamento de água e efluentes possa ser disseminado no nosso país”, afirma.

Estágios de tratamento

A ANA é a agência que também viabiliza esse serviço para uma empresa. Mas as próprias empresas precisam também pagar pelo serviço, já que a água é um bem de domínio público, limitado e de valor econômico, segundo estabelece a Lei das Águas, de 1997.

Os estágios para o tratamento da água são a captação, a adução e filtragem. Após retirada dos rios ou poços (captação), a água pode ser transportada para duas direções, neste processo de adução. Uma é para a ETA (Estação de Tratamento de Tratmento Água) ou, já tratada, para um sistema de distribuição.

Ausência de tratamento de água gera enormes riscos para a população
Ausência de tratamento de água gera enormes riscos para a população

As formas de transporte em geral são por gravidade (no conduto forçado, a água escoa sob pressão superior à atmosfera) ou recalque (transporte em adutoras por meio de bombeamento).

Na filtragem, ela chega em geral 95% livre de impurezas. Mas o processo é concluído, com tratamento por filtros em que são utilizados areia, carvão ativado e pedregulhos, antes dos testes finais para aferir a turbidez, o PH (acidez), o nível de cloro, temperatura, alcalinidade, metais e a cor.

A questão do esgoto na água também influencia na diminuição da disponibilidade de água. Crises recentes de escassez de chuva e esvaziamento dos reservatórios já colocaram em xeque a gestão dos governos e a forma de consumo da população.

Não importa se o país possua recursos hídricos abundantes. A crise hídrica, que já teve início em algumas regiões, ameaça a todos, inclusive o Brasil, que está vendo suas reservas de água potável diminuírem.

Entre as causas estão o aumento do consumo, do desperdício, da proliferação de esgotos e resíduos tóxicos e efeitos do aquecimento global, que poluem as águas superficiais e subterrâneas do País.

Fonte - SNIS 2017
Fonte - SNIS 2017

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