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Queda do dólar ante picos recentes desacelera negócios com soja no Brasil

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Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A queda do dólar ante o real e a baixa das cotações em Chicago frearam os negócios com soja da nova safra neste início de abril, disseram corretores.

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O dólar chegou a tocar 3,30 reais em 19 de março, maior patamar em 12 anos, mas desde então vem recuando. A moeda norte-americana era negociada a 3,10 nesta segunda-feira.

O recuo no câmbio reduz os valores obtidos da soja em reais e desestimula as vendas pelos produtores rurais.

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"O movimento vendedor foi bastante forte entre 15 e 30 de março. No entanto, agora... o vendedor acaba aguardando melhores pontos (oportunidades) de venda", disse o operador Adelson Gasparin, da corretora XPF AGRO, de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

Segundo ele, com o dólar a 3,30 reais, a soja chegou a ser negociada a 75 reais por saca para entrega no porto de Rio Grande. Atualmente, a cotação está em 68,30 reais por saca.

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As cotações da soja na bolsa de Chicago (CBOT) também não estimulam as vendas. As cotações caíram cerca de 8 por cento desde o início de março até o fechamento de sexta-feira.

"O mercado, claro, deu uma parada, uma reduzida nos negócios, porque os preços em reais caíram", disse o diretor de Inteligência de Mercado da Cerealpar, de Curitiba, Steve Cachia. Segundo ele, a soja é negociada no norte do Paraná atualmente a 61 reais por saca, contra 66 reais em meados de março.

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"O vendedor não está muito interessado. Está só na expectativa de melhores preços. Aqui em Rondonópolis, só se vende pontualmente. Só vende quem precisa fazer caixa", afirmou o analista Jerson Carvalho Pinto, da corretora Diversa, na cidade que é o principal polo logístico de grãos de Mato Grosso.

Em levantamento divulgado no fim de março, a consultoria AgRural disse que a comercialização da safra 2014/15 já alcançava 53 por cento do volume a ser colhido, alta de 13 pontos percentuais em um mês, por influência do câmbio.

Desde então, no entanto, a comercialização perdeu ritmo.

"Desde sexta-feira passada (3 de abril) pouca coisa rodou (poucos negócios aconteceram), tanto da soja disponível, quanto da safra 2015/16. Já se vendeu bastante em março e os produtores estão bem capitalizados", destacou nesta segunda-feira a analista Daniele Siqueira, da Agrural, citando dados levantados até agora e que vão constar no próximo relatório de comercialização.

A colheita de soja no Brasil já atinge 87 por cento da área plantada, segundo levantamento divulgado no fim de semana pela consultoria França Jr.

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