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Renan diz não haver provas para abertura de impeachment

Presidente do Senado avalia que processo instaurado por Cunha “não é constitucional”

Brasil|Do R7

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Renan arrancou aplausos de artistas e intelectuais com suas declarações
Renan arrancou aplausos de artistas e intelectuais com suas declarações

Em um encontro com artistas, intelectuais e parlamentares nesta quinta-feira (17), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou não haver "uma franja" de indício para que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizasse a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

— Não é constitucional — e os senhores têm absoluta razão — é você botar para andar um processo de impeachment cuja caracterização do crime de responsabilidade não existe. Não tem sequer uma franja, um indício, uma evidência, uma prova, nada.

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Renan destacou ainda que seu papel, como presidente do Senado e do Congresso, é "garantir a democracia" e arrancou aplauso dos presentes.

— Não tenho absolutamente nenhuma dúvida disso. Nós vamos em todos os momentos, nas maiores e menores dificuldades, somar esforços nessa direção.

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O encontro com Renan havia sido articulado pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN). Ela relatou ter pedido ao presidente do Senado na terça-feira (15) se poderia receber em seu gabinete manifesto em defesa do mandato de Dilma. Ele aquiesceu em receber o grupo dois dias depois.

A conversa durou cerca de 25 minutos. No encontro, que começou por volta das 14h30, conforme relatos de presentes, o teólogo Leonardo Boff fez uma introdução sobre o manifesto em defesa do mandato de Dilma. O grupo entregou uma cópia do documento para Renan. E, sem ter sido instado, o próprio peemedebista se posicionou contrariamente à decisão do colega da Câmara. 

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O grupo comemorou a manifestação de Renan. "Se por acaso chegar (o processo de impeachment), e acho que não chega, o Senado vai redefinir a posição", disse Fátima Bezerra.

— Pelo papel que ele [Renan] exerce nesse momento, tem um peso do ponto de vista político muito importante.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), outro participante da reunião, disse que o presidente do Senado foi firme nas suas declarações.

— O presidente Renan demonstrou com sua declaração respeito à Constituição e ao Estado de Direito, ao se declarar contrário ao golpe, sem abrir mão das críticas necessárias em relação à necessidade de mais mudanças no governo da presidenta Dilma.

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Nos bastidores, Renan já vinha se manifestando contra o impedimento de Dilma, mas, pela primeira vez, é revelada uma fala dele nesse teor. O peemedebista é o principal aliado do governo para barrar o impeachment no Congresso. O cacife dele também aumentou desde que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que o Senado tem poderes para arquivar uma eventual decisão da Câmara de instaurar o processo de impedimento contra a presidente.

O encontro do peemedebista com o grupo ocorreu por volta das 14h30, pouco depois de Renan ter almoçado no Palácio do Alvorada com Dilma e os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo). Na ocasião, a presidente o agradeceu por ter desafiado o vice Michel Temer que, na avaliação do governo, faz movimentos escancarados em defesa do impeachment.

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